The Disney Afternoon Collection | Review

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The Disney Afternoon Collection foi lançado originalmente para PlayStation 4, Xbox One e PC, via Steam, em 18 de abril de 2017. A coletânea reunia seis jogos clássicos da Capcom baseados em animações da Disney lançadas nos consoles de 8 bits, incluindo DuckTales e Chip ‘n Dale: Rescue Rangers.

Agora, nove anos após o lançamento original, The Disney Afternoon Collection recebe uma versão atualizada para Nintendo Switch 1 e 2, ampliando o catálogo com dois grandes clássicos do Super Nintendo, Bonkers e Goof Troop, este último conhecido no Brasil como o jogo do Pateta e Max. A nova edição traz ainda melhorias de qualidade de vida, como a opção de rebobinar, sistema de salvamento rápido, corrida do chefe e desafios contra o tempo, cada um com seu próprio ranking online.

A atualização de The Disney Afternoon Collection também inclui conteúdos extras, como um reprodutor de músicas e o modo Galeria, que funciona como um museu virtual com curadoria dos historiadores da Digital Eclipse, oferecendo artes, bastidores e materiais históricos dos títulos.

Ficou curioso para saber como essa coletânea pixelada está rodando no console híbrido mais poderoso da Big N? Então, pegue aquele café coado bem quente na cozinha e venha comigo em mais uma análise nostálgica do Pizza Fria!

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Uma coletânea de respeito

The Disney Afternoon Collection é uma coletânea de respeito que revive oito grandes clássicos da era de ouro dos videogames, títulos que muitos jogadores atuais talvez nunca tenham tido a oportunidade de conhecer.

DuckTales, lançado em 1989 para o Nintendo Entertainment System, o NES, coloca o jogador no controle de Tio Patinhas em uma jornada por cenários como a Amazônia, a Transilvânia, e até mesmo a Lua, em busca de tesouros. Utilizando sua icônica bengala, o personagem combina ataque e mobilidade, especialmente com o famoso Pogo Jump, que se tornou a marca registrada do jogo.

A estrutura não linear, que permite escolher a ordem das fases, adicionava um senso de liberdade incomum para a época. Em um período em que muitos jogos baseados em licenças eram meramente oportunistas, DuckTales se destacou pela qualidade técnica, level design refinado e trilha sonora memorável.

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Essa estátua bonitona aí, é o chefe da Amazônia em DuckTales. (Imagem: Reprodução/Filipe Villela/Pizza Fria)

Chip ’n Dale: Rescue Rangers, lançado para o NES em 1990, trouxe a carismática dupla Tico e Teco em uma aventura de plataforma acessível, colorida e surpreendentemente polida. O foco aqui não está em ataques diretos, mas na interação com o cenário, os personagens arremessam caixas, maçãs e outros objetos contra os inimigos, criando uma dinâmica simples, porém estratégica.

O modo cooperativo simultâneo para dois jogadores foi seu grande diferencial, tornando a experiência ainda mais caótica e divertida, especialmente pela possibilidade, intencional ou não, de arremessar o próprio parceiro.

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Em Chip ’n Dale: Rescue Rangers, o modo cooperativo simultâneo reina, tornando a experiência caótica e divertida. (Imagem: Reprodução/Filipe Villela/Pizza Fria)

TaleSpin, lançado em 1991 também para o quadradinho da Nintendo, adaptou a animação Esquadrilha Parafuso em um formato menos convencional dentro do catálogo da Nintendo, um side-scrolling shooter, “jogo de navinha” em diferentes perspectivas de rolagem, tanto na horizontal quanto na vertical.

No controle de Baloo e seu avião, o jogador enfrenta inimigos aéreos enquanto coleta dinheiro para investir em melhorias na loja entre as fases. O sistema de upgrades adiciona uma camada estratégica interessante e reforça a rejogabilidade.

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Controle Baloo, colete dinheiro e invista em melhorias para o seu avião. (Imagem: Reprodução/Filipe Villela/Pizza Fria)

Darkwing Duck, um clássico lançado em 1992, trouxe para o Nintendo o herói mascarado da Disney em um jogo de ação e plataforma, fortemente inspirado na estrutura do famoso robozinho azul também da Capcom, Mega Man.

No divertido game, o jogador pode escolher a ordem das fases, enfrenta chefes temáticos e utiliza diferentes tipos de projéteis ao longo de uma bela campanha, em uma experiência mais desafiadora e dinâmica do que a de muitos outros títulos da época, com um level design e pixel art extremamente bem construídos.

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O level design de Darkwing Duck é incrível, um jogo que possui diversas boas influências do robozinho azul, também da Capcom. (Imagem: Reprodução/Filipe Villela/Pizza Fria)

DuckTales 2 chegou em um momento curioso, o NES já estava no final de seu ciclo, com o seu sucessor, o Super Nintendo, liderando o mercado. Ainda assim, essa grande sequência manteve a essência do jogo original, expandindo as mecânicas da bengala do Tio Patinhas, com inovações, como a possibilidade de puxar blocos e usar ferramentas específicas em cada estágio.

É importante comentar aqui que, embora seja um jogo mais tecnicamente refinado e até mesmo ambicioso que o primeiro, DuckTales 2 não teve o mesmo impacto comercial, muito por conta da época em que foi lançado, transformando-o em uma dessas joias raras do NES, muito valorizada pelos colecionadores.

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DuckTales 2 ficou ainda mais bonito e tecnicamente refinado que o jogo original, porém, não teve o mesmo impacto comercial por conta da época de seu lançamento. (Imagem: Reprodução/Filipe Villela/Pizza Fria)

Chip ‘n Dale: Rescue Rangers 2 foi lançado em dezembro de 93 no Japão para o Famicom e nos Estados Unidos em janeiro de 94 para o NES, chegando também em um momento de transição onde o console de 8-bits já não tinha mais tanta força no mercado.

A sequência manteve uma base sólida do primeiro jogo, sendo um game de plataforma acessível com foco em arremessar objetos contra inimigos, e um modo cooperativo caótico e simultâneo para dois jogadores. É um jogo extremamente competente e visualmente caprichado dentro das limitações de hardware, mas que sofreu do mesmo problema de DuckTales 2.

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Chip ‘n Dale: Rescue Rangers 2 é um jogo extremamente competente e visualmente caprichado dentro das limitações de hardware, mas que sofreu do mesmo problema de DuckTales 2. (Imagem: Reprodução/Filipe Villela/Pizza Fria)

Novas bolachas no pacote!

Goof Troop, ou conforme conhecido por aqui, Pateta e Max, foi lançado em 1993 para o Super Nintendo, é um jogo que aposta em uma abordagem diferente, com menos foco na ação direta e mais ênfase na estratégia, em puzzles e cooperação.

Aqui, os jogadores controlam Pateta e Max, explorando uma ilha repleta de armadilhas, chaves e blocos móveis, em uma estrutura que mistura aventura Top-Down, ou seja, com a câmera posicionada diretamente acima dos personagens, com resolução de enigmas.

Ah, e eu não posso deixar de comentar que o grande destaque desse jogo, sem dúvidas, é o modo cooperativo simultâneo, arrisco a dizer que um dos mais divertidos em sua época, no qual os jogadores precisam trabalhar juntos para resolver os desafios.

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O modo cooperativo de Goof Troop foi um dos mais divertidos em sua época, aqui, os jogadores precisam trabalhar juntos para resolver os desafios. (Imagem: Reprodução/Filipe Villela/Pizza Fria)

Bonkers, lançado para o Super Nintendo em 1994, é um jogo de ação e plataforma onde controlamos o policial felino, percorrendo por fases lineares e enfrentando inimigos com bombas, pisoteando-os, e explorando ambientes inspirados no desenho da década de 90.

O foco em Bonkers está mais na progressão direta mesmo, e no combate simples, é um jogo tecnicamente muito bem feito, com sprites animados e uma trilha sonora competente para a época, além de um level design bastante divertido.

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Bonkers é cheio de referências de outras animações da Disney. (Imagem: Reprodução/Filipe Villela/Pizza Fria)

Melhorias de qualidade de vida

The Disney Afternoon Collection traz diversas melhorias de qualidade de vida, pensadas tanto para novos jogadores quanto para o público mais casual, que busca uma experiência menos punitiva. Além disso, a coletânea inclui aprimoramentos visuais e recursos extras que modernizam os clássicos sem comprometer sua essência.

Entre os principais facilitadores estão as opções de salvar e carregar o jogo a qualquer momento. Basta pressionar o botão, acessar o menu e registrar o progresso. E, claro, não poderia faltar a função mais popular das coletâneas atuais, a opção de rebobinar, que permite corrigir erros rapidamente e reduzir a frustração em trechos mais desafiadores.

No aspecto visual, todos os títulos de The Disney Afternoon Collection contam com filtros gráficos. É possível aplicar as tradicionais scanlines horizontais, que simulam as antigas TVs de tubo, ou optar pelo filtro de monitor, com scanlines verticais. Naturalmente, também há a opção de desativar qualquer filtro para quem prefere apreciar os pixels em sua forma original.

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Esse aqui é um exemplo da tela totalmente esticada em sem filtro. (Imagem: Reprodução/Filipe Villela/Pizza Fria)

Ainda falando sobre ajustes visuais, a imagem pode ser exibida em três formatos de escala. O modo Aspecto Original preserva as proporções clássicas, adicionando bordas para manter a fidelidade da imagem. Já o modo Tela Cheia expande a imagem para preencher completamente o espaço vertical. Por fim, o modo Largura estica a imagem ao máximo na horizontal, sem se preocupar em manter a proporção original.

Essas opções reforçam o cuidado da nova versão de The Disney Afternoon Collection em equilibrar nostalgia e acessibilidade, permitindo que cada jogador personalize a experiência conforme sua preferência.

Conteúdo bônus e modos de jogo diferenciados

Além dos jogos clássicos, The Disney Afternoon Collection oferece um tocador de músicas e uma galeria de imagens bastante interessante. As faixas são organizadas por título da coletânea, permitindo que você selecione suas preferidas, deixe tocar em sequência ou ative o modo aleatório para curtir as trilhas sonoras que marcaram época.

Já a galeria, que, confesso, costuma ser minha parte favorita nessas coletâneas, é dividida em quatro seções. A primeira mostra a transformação das animações da Disney em pixel art. A segunda funciona como um museu virtual, reunindo capas japonesas e americanas dos jogos, todas escaneadas em ótima qualidade. Há ainda uma área dedicada a fotos de comerciais e materiais promocionais da época, além de uma seção com artes conceituais originais produzidas durante o desenvolvimento dos títulos.

Ainda assim, senti falta de mais conteúdo extra. Poderiam ter incluído vídeos, entrevistas ou materiais adicionais de bastidores. Também há pouca coisa relacionada aos dois novos jogos adicionados a The Disney Afternoon Collection, o que deixa essa atualização um pouco aquém nesse aspecto.

The Disney Afternoon Collection
Os modos Ataque por Tempo e Corrida contra o Chefe possuem ranking online global. (Imagem: Reprodução/Filipe Villela/Pizza Fria)

Além dos extras, com exceção dos novos jogos, Goof Troop e Bonkers, os outros jogos da coletânea possuem modo Ataque por Tempo, queridinho dos speedrunners, em que o jogador precisa concluir cada fase o mais rápido possível, e o modo Corrida contra o Chefe, o Boss Rush, no qual é necessário derrotar todos os chefes em sequência no menor tempo possível.

Esses modos contam com placar global online, registrando seu tempo para competir com jogadores do mundo todo. Neles, não é possível salvar, carregar ou utilizar a função de retroceder. Também é possível assistir às partidas de outros jogadores, no entanto, como testei The Disney Afternoon Collection antes do lançamento oficial, não consegui experimentar esse recurso.

Vale a pena jogar The Disney Afternoon Collection?

Se você tem qualquer apreço pela era 8 e 16 bits, a resposta é simples, sim, sem dúvidas alguma vale a pena jogar The Disney Afternoon Collection. A coletânea reúne oito títulos que representam uma fase em que jogos licenciados da Disney não eram apenas produtos oportunistas, mas experiências tecnicamente competentes, com level design refinado, trilhas memoráveis e mecânicas que resistiram ao tempo.

A nova versão fortalece ainda mais o pacote ao adicionar Bonkers e Goof Troop, além de implementar melhorias modernas que tornam a experiência mais acessível. Recursos como salvar a qualquer momento, rebobinar, filtros visuais e modos extras como Ataque por Tempo e Boss Rush ampliam tanto o fator replay quanto a competitividade, sem descaracterizar a proposta original.

Os extras, como a galeria e o tocador de músicas, ajudam a reforçar o valor histórico da coletânea, embora deixem a sensação de que poderiam ter ido além, especialmente no conteúdo relacionado aos novos jogos adicionados. Ainda assim, o cuidado na preservação e organização do material demonstra respeito pelo legado desses clássicos.

No fim das contas, The Disney Afternoon Collection é uma celebração competente da era de ouro da Capcom com a Disney, e o melhor, o game está saindo por apenas R$ 54,95 na Nintendo eShop do Brasil. Pode não ser a coletânea definitiva em termos de conteúdo extra, mas entrega exatamente o que promete, nostalgia de qualidade e acessibilidade, é uma excelente pedida para quem deseja revisitar, ou uma porta de entrada para quem deseja conhecer esses clássicos atemporais.

*Review elaborada em um Nintendo Switch 2, com código fornecido pela Atari.

The Disney Afternoon Collection

BRL 54,95
8.2

Diversão

8.6/10

Gameplay

8.0/10

Acessibilidade

9.0/10

Extras

7.2/10

Prós

  • Oito grande clássicos em um pacote com menus e extras localizados para português do Brasil.
  • Jogos com level design e trilha sonora que envelheceram muito bem.
  • Modos extras com ranking online.

Contras

  • Apesar dos menus e extras estarem localizados, os jogos não estão.
  • Conteúdo extra poderia estar mais robusto.

Filipe "Bdama" Villela

Aficionado por jogos desde cedo, de Bomberman, Zelda, Sonic ou Mário, indo dos clássicos das gerações passadas, até os indies e mais variados AAA atuais. Viciado em desafios, colecionador de platinas e consoles antigos, para mim não importa a plataforma ou gráficos de um jogo, sou movido pela emoção da aventura de conhecer e desbravar novos mundos, uma viagem única que apenas cartuchos e cd's podem nos levar. Embarque comigo nesse mundo de possibilidades infinitas e venha descobrir novos mundos e maneiras de se aventurar!