EA SPORTS College Football 27 | Review

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Entrar em campo em EA SPORTS College Football 27 nos coloca em uma das atmosferas mais insanas do futebol americano no mundo dos videogames. Não é “apenas um esporte”. É banda marcial tocando, estádio extremamente lotado, toda aquela tradição universitária, rivalidade regional, mascotes fazendo graça, torcidas com tema especial e aquele exagero emocional que transforma uma partida de temporada regular em algo com cara de final nacional.

A série voltou há alguns anos, tendo bons resultados (a última review não me deixa mentir) e agora precisa lidar com outro desafio: provar que consegue evoluir depois do impacto inicial. Afinal de contas, todo o brilho do retorno já passou. O que resta agora é a pergunta mais difícil: esta edição consegue justificar mais uma temporada?

EA SPORTS College Football 27 chega com mudanças na apresentação, melhorias importantes de jogabilidade, novas posições no Road to Glory, ajustes defensivos, sistemas inéditos no Dynasty, introdução de NIL, expectativas do diretor atlético e o retorno do Mascot Mashup. É bastante coisa no papel. Na prática, algumas novidades mexem de verdade com a experiência, enquanto outras parecem mais tímidas, burocráticas ou feitas apenas para responder pedidos da comunidade. Enfim, vamos para a análise em que falarei sobre tudo isso e muito mais!

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A apresentação entende o que é o college football

Uma das primeiras coisas que me chamou novamente a atenção ao jogar o College Football 27, foi a apresentação. O menu principal ganhou uma cara mais limpa e muito mais temática, com um pequeno estádio do seu time favorito, capacetes e elementos visuais que ajudam a colocar o jogador no clima antes mesmo da primeira partida. É um detalhe, verdade, mas faz diferença, sobretudo porque o jogo não tenta empurrar apenas o Ultimate Team na sua cara logo que você entra, algo que sempre me incomodou em outros títulos da EA.

Já dentro das partidas, a transmissão também está mais encorpada e ainda mais imersiva. A presença de novas equipes de narração ajuda a variar o tom dos jogos, e poder alternar entre uma equipe de transmissão mais tradicional e outra voltada para grandes partidas aumenta a sensação de grandeza da coisa. Quando os comentaristas falam sobre as dificuldades do treinador, momento da equipe ou contexto da temporada, o jogo ganha uma camada de autenticidade bem-vinda. Pena que ainda é exclusivamente em inglês, o que afasta parte do público brasileiro.

EA SPORTS College Football 27 review análise
Um jogo ainda melhor que o anterior. (Imagem: Divulgação)

Outro acerto bacana é o clima dinâmico. Uma partida pode começar em um sábado ensolarado e terminar embaixo de chuva pesada, com o gramado se desgastando e os jogadores deslizando e acumulando marcas de lama no uniforme. Melhor ainda: isso não é somente um aspecto meramente visual. Dependendo das condições, a movimentação muda, a aderência sofre e algumas jogadas passam a exigir mais cuidado. É o tipo de recurso que combina perfeitamente com futebol americano universitário, onde o ambiente faz parte do espetáculo.

As tradições também seguem como um diferencial. Estádios autênticos, inúmeros mascotes, uniformes, equipamentos, protetores bucais pendurados e toda a participação da torcida, tudo isso ajuda a vender a fantasia do futebol americano universitário, que leva milhões de pessoas anualmente para diversos estádios dos EUA. Para quem acompanha o esporte, essas pequenas coisas importam muito. É nelas que o jogo se distancia de ser apenas uma versão alternativa de Madden. No ano passado, por exemplo, o College Football 26 foi bem melhor que o Madden 26. Bem, pelo menos na minha humilde opinião…

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A entrada da equipe em campo é sempre intensa. (Imagem: Reprodução)

Uma das melhores versões em campo

A jogabilidade é o ponto mais forte que pude observar no EA SPORTS College Football 27. Depois de algumas partidas, minha sensação foi muito clara: este é o jogo mais agradável da fase moderna da franquia. A movimentação dos atletas está mais natural, os controles respondem melhor e há um equilíbrio muito bom entre ataque e defesa. Não que seja mais fácil, pois não é. A coisa vai mais além.

No ataque, por exemplo, passar a bola continua sendo uma das maiores satisfações do jogo, embora não seja uma tarefa mole. Escolher a jogada, ler a defesa, mover o quarterback no pocket e encontrar o recebedor no tempo certo funciona muito bem. Quando uma rota se desenvolve como planejado e o passe chega no espaço exato, o jogo transmite aquela sensação de execução bem feita. Não parece sorte. Parece leitura, conhecimento de rota e confiança nos jogadores virtuais envolvidos.

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A atmosfera do jogo está incrível! (Imagem: Divulgação)

O jogo terrestre também segue ótimo. Correr com a bola tem peso, fluidez e leitura de bloqueios muito forte. Encontrar uma abertura na linha, cortar para o lado certo, quebrar um tackle ou ganhar jardas carregando os defensores é algo simplesmente prazeroso. Eu me peguei alternando entre passes e corridas de maneira muito natural, sem sentir que um lado do ataque era muito mais forte ou muito mais divertido do que o outro.

Com isso, o ritmo de jogo de College Football 27 é extremamente interessante, tendo o jogo recebido uma série de melhorias em sua jogabilidade, estando até mais prático, do ponto de vista de um possível jogador novato.

A defesa está mais apurada

A defesa recebeu atenção especial no College Football 27. Não dá mais para vencer apenas repetindo a mesma jogada ofensiva sem consequências. A inteligência artificial finalmente reage melhor, a cobertura parece mais atenta e o jogo recompensa ajustes pré-snap com mais consistência, embora seja algo mais complexo de ser feito.

O tackle stick também est[a reformulado dá mais controle na hora de derrubar o adversário. Ainda existe espaço para erro, e isso é bom. Entrar errado no tackle certamente irá abrir um corredor enorme. Mas, quando você lê a jogada, posiciona bem o defensor e executa no tempo certo, a resposta é incrível. O jogador ofensivo voa ao chão de uma maneira realista em que nós até “sentimos” um pouco do impacto.

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O modo de jogo com mascotes não tem nada demais, infelizmente. (Imagem: Divulgação)

As mudanças nos ajustes de linha defensiva e linebackers também exigem bastante adaptação. Agora, há comandos diferentes no analógico direito, e isso pode estranhar no começo. Depois que encaixa, porém, o sistema fica rápido e eficiente. As novas opções de cobertura em zona, como abordagens mais agressivas, balanceadas ou voltadas para grudar no recebedor mais próximo em jogadas quebradas, adicionam uma camada tática interessante. Mas se bobear… já era!

Agora, o College Football 27 conta com um sistema diferenciado que, em vez de fazer uma sequência longa de ajustes antes do snap, dá para escolher estratégias prontas, como uma defesa pensada para impedir passes longos. Isso não substitui o controle manual nas jogadas, mas facilita a vida de quem quer reagir rápido a situações óbvias. Para quem joga online ou em dificuldades mais altas, economizar alguns segundos antes da jogada pode ser decisivo, já que muitos jogadores armam rápido o ataque, não dando tempo para uma análise mais ampla.

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Sente o clima da torcida! (Imagem: Reprodução)

Novas mecânicas são sempre bem-vindas

College Football 27 também adiciona mudanças na mecânica ofensiva que torna a chamada de jogadas em algo bem mais interessante. As trocas de formação com o mesmo pessoal em campo são uma das minhas novidades favoritas. Você escolhe uma formação, define uma tática para a defesa e depois muda para outra totalmente diferente antes do snap, tentando confundir o adversário. É uma mecânica simples de entender, mas cheia de potencial. Porém, também pode nos confundir. Normal, já o futebol americano não é um esporte que crescemos assistindo.

De toda forma, isso deixa o ataque mais estratégico. Em vez de apenas escolher a jogada mais eficiente, eu comecei a pensar em como tentar esconder minhas formações, até mesmo contra a IA. Posso mostrar uma formação pesada e abrir o campo. Posso fingir passe e correr. Posso forçar a defesa a revelar cobertura antes da hora. Não transforma o jogo em xadrez, mas aproxima a experiência de uma leitura mais realista do que é observado no esporte.

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Grandes sucessos da música pop são tocados ao longo do jogo, mas em versão banda marcial. (Imagem: Reprodução)

A recepção baseada em timing também é uma boa adição ao College Football 27. No entanto, ela é opcional, mas oferece mais controle para quem quer dominar o sistema. Acertar o tempo e garantir uma recepção difícil no meio de defensores é muito recompensador. O mesmo vale para as interceptações, que podem virar um jogo nos últimos segundos.

Outro detalhe positivo é o duelo entre wide receivers e defensive backs. O novo sistema de disputa física permite que defensores menos velozes, mas mais técnicos, consigam atrapalhar um bocadinho no timing da rota. Isso ajuda a evitar que velocidade seja sempre a resposta para tudo, embora ajude demais. Em um esporte cheio de variáveis, qualquer sistema que valorize características diferentes dos atletas é bem-vindo. Agradeço!

Road to Glory e Dynasty mostram os dois lados da experiência

O modo Road to Glory volta mais completo em College Football 27, principalmente pela chegada de novas posições como Tight End, Edge Rusher e Free Safety. Ou seja, você agora poderá ir mais além das posições mais desejadas como Wide Receiver e Quarterback. A criação do atleta também ficou mais detalhada, com novas opções de equipamentos, modelos de rosto, protetores e uniformes, algo importante em um modo que precisa do máximo de customizações em um modo em que iremos construir uma carreira do zero.

O problema é que o Road to Glory ainda não encontrou o equilíbrio perfeito entre jornada esportiva e gerenciamento. A fase de recrutamento no ensino médio funciona de forma parecida com a edição anterior, com escolas no radar, objetivos em momentos específicos e bolsas sendo conquistadas aos poucos. Só que nem tudo depende exatamente do jogador, e algumas metas podem falhar por situações fora do nosso controle. Além disso, a progressão fora de campo ainda pesa demais em atributos, menus e pequenos ajustes, deixando menos espaço para simplesmente viver a carreira dentro das quatro linhas. Isso acaba sendo chato.

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Todos de olho no cobiçado Heisman Trophy. (Imagem: Divulgação)

Já o Dynasty continua sendo o coração de College Football 27. Para mim, é nele que a franquia mais cresce, porque montar um programa, recrutar jogadores, administrar expectativas e tentar transformar uma universidade menor em potência segue sendo uma das melhores coisas do jogo. A chegada das expectativas do diretor atlético reforça isso muito bem, já que cada escola cobra resultados de forma diferente. Treinar uma potência como o time do Alabama, por exemplo, não tem o mesmo peso de assumir um programa em reconstrução, e uma boa temporada pode não ser suficiente se você não cumprir os objetivos que os donos exigem.

Os Dynasty Points também deixam a gestão mais interessante, funcionando como um orçamento anual para staff, instalações, recrutamento e melhorias do programa. Programas maiores têm mais margem para errar, enquanto escolas pequenas precisam escolher com muito cuidado onde investir. Contratar apoio nos bastidores, melhorar estrutura, reforçar o recrutamento ou segurar atletas importantes no elenco vira uma disputa constante por recursos. É uma camada mais gerencial, sim, mas combina com Dynasty e torna cada reconstrução mais estratégica e recompensadora.

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No Dynasty está tudo em nossas mãos. (Imagem: Divulgação)

Vale a pena jogar EA SPORTS College Football 27?

Para quem gosta de futebol americano universitário, EA SPORTS College Football 27 é uma recomendação extremamente fácil. A atmosfera está mais forte, a jogabilidade melhorou ainda mais, a defesa finalmente responde melhor e o Dynasty recebeu camadas relevantes, ainda que limitadas. O jogo entende melhor do que Madden, inclusive, em como transformar um jogo de futebol americano em um game prazeroso, rápido e cheio de leitura.

Para quem veio da edição anterior, a resposta depende do que você valoriza. Se o foco é gameplay e Dynasty, até há melhorias suficientes. Se você esperava uma revolução em todos os modos, talvez sinta que algumas áreas andaram pouco. Road to Glory melhorou, mas ainda precisa de equilíbrio. Mascot Mashup voltou, mas decepciona. Ultimate Team segue previsível.

No meu caso, a experiência dentro de campo foi o que realmente importou. Quando estava jogando, chamando jogadas, lendo defesas e disputando partidas apertadas, College Football 27 se mostrou bem completo.

Porém, os tropeços existem. O Mascot Mashup, por exemplo, voltou sem a loucura necessária. Já o Ultimate Team continua pouco surpreendente e a tentativa de inserir microtransações em modos centrais acaba sendo frustrante. Ainda assim, quando a bola sobe e a partida começa, College Football 27 lembra por que essa franquia tem tanta força e pode ser uma excelente porta de entrada para curiosos.

EA SPORTS College Football 27 está disponível para PlayStation 5Xbox Series X|S e, pela primeira vez na história da franquia, também para PC, via SteamEpic Games Store e EA PlayAndroid e iOS

*Review elaborada em um PC equipado com uma GeForce RTX, com código fornecido pela Electronic Arts.

EA SPORTS College Football 27

R$ 299,90+
9

Jogabilidade

9.3/10

Gráficos

9.2/10

Licenças e imersão

9.0/10

Extras

8.5/10

Álvaro Saluan

Completamente apaixonado por videogames, escreve e pesquisa sobre o tema há uns bons anos. Vê os jogos para além do entretenimento, considerando todo o processo como uma grande e diversificada arte. Vai dos jogos de esporte aos RPGs tranquilamente, admirando cada experiência. Seu maior ídolo dos jogos é Hideo Kojima.