Metal Gear Solid: Master Collection Vol. 2 | Review
Preservar jogos de videogames não significa necessariamente reconstruí-los. Em muitos casos, significa apenas garantir que continuem disponíveis, funcionais e acessíveis em plataformas atuais. É justamente essa a principal virtude de Metal Gear Solid: Master Collection Vol. 2, que reúne Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots e Metal Gear Solid: Peace Walker em um mesmo pacote e, principalmente, finalmente tira o primeiro da dependência do PlayStation 3.
Depois de revisitar os dois títulos no PC e também no Steam Deck, ficou claro para mim que este segundo volume não traz alguns dos pontos que mais me incomodaram na coletânea anterior, embora continue lidando com jogos que carregam consigo muitas características de suas respectivas épocas. Entre preservação, controles, localização e desempenho, conto agora como foi minha experiência em mais uma review antecipada no Pizza Fria!
Dois jogos importantes que finalmente voltam a ser acessíveis
O maior argumento de Metal Gear Solid: Master Collection Vol. 2 está na própria existência da coletânea. Peace Walker nasceu no PSP e posteriormente recebeu uma versão HD para PlayStation 3 e Xbox 360. Foi justamente essa edição de PS3 que joguei anos atrás e que serve como base para sua nova versão. Portanto, não estamos exatamente diante de um resgate inédito.
Com Metal Gear Solid 4, a situação é completamente diferente. Desde seu lançamento original, em 2008, o jogo permaneceu oficialmente preso ao PlayStation 3. É um capítulo numerado e extremamente importante da franquia que, durante quase duas décadas, exigia a manutenção de um console antigo para ser jogado de maneira oficial. Só isso já torna este segundo volume especialmente relevante enquanto projeto de preservação.

Recentemente, inclusive, falamos no Pizza Fria sobre a importância de manter jogos disponíveis para novas gerações e sobre como a indústria ainda encontra dificuldades para lidar com a preservação de seu próprio passado. Você pode conferir o artigo aqui.
Nesse sentido, Master Collection Vol. 2 cumpre um papel bastante direto: esses jogos voltaram a estar disponíveis, e não dependem mais dos aparelhos nos quais ficaram presos durante tantos anos.
Metal Gear Solid 4 continua sendo um jogo muito particular
Antes de começar a falar sobre, queria deixar claro que Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots também tem um peso pessoal para mim. Em 2011, quando ganhei meu PlayStation 3 em uma promoção (sim, acredite se quiser!), ele foi o primeiro jogo que comprei para o console, e também o primeiro que zerei nele. Sendo Metal Gear uma das franquias que mais acompanhei ao longo dos anos, voltar a esse jogo agora, finalmente fora do PS3, acaba tornando esse resgate ainda mais significativo.
E talvez seja justamente por isso que é difícil não enxergar Metal Gear Solid 4 como a grande atração desta coletânea. Não necessariamente por ser superior a Peace Walker, mas porque era o jogo mais difícil de revisitar oficialmente.
A campanha acompanha Solid Snake em uma etapa avançada da cronologia de Metal Gear. E esse é um ponto importante para qualquer pessoa pensando em entrar na série por esta coleção: apesar de ser possível acompanhar os acontecimentos principais de forma independente, a história claramente não começa aqui. Na verdade, em muitos sentidos, ela termina aqui. Metal Gear Solid 4 foi construído como um grande acerto de contas com a trajetória de Solid Snake, retomando personagens, conflitos e acontecimentos apresentados ao longo dos jogos anteriores.

Muito do peso de Metal Gear Solid 4 está justamente em retomar acontecimentos apresentados em jogos anteriores. Quem já conhece a trajetória de Solid Snake provavelmente encontrará aqui um impacto emocional muito maior do que alguém entrando na franquia pela primeira vez.
Dito isso, é bom frisar: Metal Gear nunca foi exatamente uma série econômica na hora de contar uma história. Aqui, especialmente, há diálogos extensos, explicações sobre política, conflitos militares e tecnologia, além de sequências cinematográficas bastante longas. Em determinados momentos, o controle fica de lado por bastante tempo para que a narrativa assuma completamente o protagonismo.
Isso fazia parte de MGS4 em 2008 e continua fazendo parte de MGS4 agora. A coletânea não tenta transformar o jogo em outra coisa.

Visualmente, ele também continua mostrando sua idade. Há modelos, animações, texturas e outros elementos que claramente pertencem à geração do PlayStation 3. É importante entender isso porque estamos falando muito mais de uma conversão e de um trabalho de preservação do que de uma remasterização ambiciosa.
Ainda assim, poder jogar Metal Gear Solid 4 novamente em uma plataforma atual, com boa resolução e desempenho adequado, sem depender de um PS3, é uma mudança enorme por si só.
Peace Walker continua sendo essencial para entender a trajetória de Big Boss
Metal Gear Solid: Peace Walker ocupa outro ponto da cronologia e acompanha Naked Snake anos depois dos acontecimentos de Metal Gear Solid 3: Snake Eater. Ele também funciona como uma história independente, mas considero que conhecer MGS3 faz bastante diferença.
Não porque seja impossível entender o objetivo central sem isso, mas porque muito do que acontece em Peace Walker está ligado à evolução de Naked Snake e ao caminho que o transforma em Big Boss. Sem saber dos acontecimentos anteriores, uma parte importante desse peso se perde.
Revisitar o jogo também reforçou algo que ficou muito mais evidente depois de Metal Gear Solid V: muitas das ideias que posteriormente se tornariam pilares de The Phantom Pain, especificamente, já estavam presentes aqui.

A estrutura baseada em missões, o desenvolvimento da base, o recrutamento de soldados, o gerenciamento de recursos e a pesquisa de novos equipamentos são elementos fundamentais de Peace Walker.
Sua origem portátil ainda aparece bastante. As missões costumam ser mais curtas, os mapas são menores e a campanha possui um ritmo bastante diferente dos capítulos numerados tradicionais. Mas essa estrutura não necessariamente envelheceu mal.
Na verdade, ela funcionou particularmente bem no Steam Deck. Poder realizar uma ou duas missões em sessões menores combina bastante com o formato portátil e talvez faça Peace Walker funcionar ainda melhor hoje nesse tipo de dispositivo do que em uma televisão.

Os controles envelheceram melhor do que eu esperava
Uma das minhas maiores críticas ao primeiro volume da Master Collection estava nos controles. Revisitar Metal Gear Solid, Metal Gear Solid 2 e, principalmente, Metal Gear Solid 3 deixou evidente como algumas convenções utilizadas originalmente pela franquia se tornaram pouco intuitivas quando comparadas aos padrões atuais.
Confesso que esperava encontrar algo semelhante aqui. Não foi o caso. Mas isso não significa que Metal Gear Solid 4 e Peace Walker pareçam jogos desenvolvidos em 2026. Existem sistemas, comandos e decisões de gameplay que continuam bastante ligados às épocas em que foram criados.
No entanto, existe uma diferença entre um jogo ser datado e o jogador precisar lutar contra seus controles. Neste segundo volume, raramente tive essa sensação. MGS4 já foi desenvolvido originalmente para um controle com dois analógicos e apresenta uma estrutura muito mais próxima daquela que posteriormente se consolidou nos jogos de ação em terceira pessoa.

Peace Walker também se beneficia diretamente do fato de esta versão utilizar como base a edição HD lançada para consoles. O original de PSP precisava lidar com a ausência de um segundo analógico, uma limitação importante para um jogo que depende constantemente do controle de câmera e mira. A versão HD já havia adaptado essa experiência para controles tradicionais, e isso faz uma diferença enorme.
Minha lembrança de Peace Walker era de uma experiência mais rígida do que aquela que encontrei agora. Mirar, movimentar a câmera, ajustar a posição e disparar funcionou de forma suficientemente natural durante toda a campanha. Ainda existem características próprias de Metal Gear e algumas convenções que podem exigir adaptação, mas nada que tenha me causado o mesmo incômodo encontrado no primeiro volume.
É um gameplay datado? Sim. Há mecânicas consideradas pouco convencionais pelos padrões atuais? Também. Mas os dois jogos continuam agradáveis de controlar.

No PC, a coletânea é leve e funciona muito bem
No PC, minha experiência com os dois títulos foi bastante tranquila. Testei a coleção em uma máquina equipada com Ryzen 7 5700X, 32 GB de memória RAM e uma GeForce RTX 5070, utilizando resolução 4K com 60 FPS.
Tanto Metal Gear Solid 4 quanto Peace Walker rodaram sem dificuldades relevantes e apresentaram baixo impacto sobre o hardware considerando os padrões atuais. Não encontrei consumo excessivo de processador, memória ou GPU, e ambos se mostraram bastante leves durante meus testes.
Em Peace Walker, o game traz opções de apresentação em alta definição, o que naturalmente deixa a imagem mais adequada para telas atuais. MGS4, por outro lado, não oferece o mesmo tipo de seleção entre modos gráficos aprimorados e permanece bastante ligada ao material original.

Isso reforça novamente a sensação de que o objetivo da coleção não é modernizar profundamente esses títulos, mas garantir que funcionem corretamente nas plataformas atuais.
Peace Walker é excelente no Steam Deck, e MGS4 também surpreende
Também fiz questão de testar os dois jogos no Steam Deck. E Peace Walker foi perfeito durante minha experiência. Mesmo utilizando sua opção gráfica em alta definição, não encontrei problemas perceptíveis de desempenho. O jogo rodou de maneira estável e, como mencionei anteriormente, sua estrutura baseada em missões curtas combina muito bem com o formato portátil. Foi provavelmente uma das experiências que mais me agradaram durante os testes desta coleção.
Metal Gear Solid 4 também funciona muito bem no Steam Deck, embora eu tenha percebido pequenas oscilações em alguns momentos. Não realizei uma medição específica de FPS e, portanto, não seria correto afirmar exatamente até onde essas quedas chegam. O que posso dizer é que foram discretas e quase imperceptíveis na maior parte do tempo. Por isso, não chamaria a experiência de 100% estável, mas ela ficou bastante próxima disso durante meus testes.

O problema mais significativo que encontrei no Steam Deck, curiosamente, não está em nenhum dos jogos.
O launcher apresentou problemas no Steam Deck
A versão de Steam organiza Metal Gear Solid: Master Collection Vol. 2 de uma maneira semelhante ao que já vimos anteriormente na primeira coletânea. Quatro aplicativos aparecem separadamente na biblioteca da Steam.
Há um executável dedicado a Metal Gear Solid 4, outro para Peace Walker, um aplicativo para os conteúdos bônus e um launcher que funciona como central para acessar todo o pacote. Os três conteúdos principais funcionam de maneira independente.
É possível instalar apenas Metal Gear Solid 4 sem baixar Peace Walker, por exemplo. O mesmo vale para os demais elementos da coleção. É uma solução particularmente útil no Steam Deck, já que permite controlar melhor o espaço ocupado no armazenamento e manter instalado somente aquilo que realmente está sendo jogado.
O problema é que, pelo menos no meu aparelho, o launcher não funcionou corretamente. Ao executá-lo, a tela permanecia preta e não avançava. Tive que fechar o aplicativo manualmente e acessar os jogos diretamente pela biblioteca. Felizmente, isso resolveu completamente a situação.
Abrindo Metal Gear Solid 4 diretamente, ele funcionou normalmente. O mesmo aconteceu com Peace Walker e com o aplicativo de conteúdos adicionais. Portanto, o problema não impede o acesso à coleção, mas é uma falha que precisa ser registrada e que gostaria de ver corrigida.
Português do Brasil é uma das melhores adições da coletânea
Talvez a mudança que mais diferencie esta coleção da anterior para o público brasileiro seja a localização. Metal Gear Solid 4 e Peace Walker já possuem textos em português do Brasil! E isso faz uma diferença considerável em uma franquia como Metal Gear.
Estamos falando de jogos extremamente dependentes de diálogos, explicações, briefings, documentos, conversas opcionais e sequências cinematográficas. A quantidade de informação apresentada ao jogador é enorme. Não se trata apenas de compreender o objetivo de uma missão.

Metal Gear constantemente discute política, guerra, tecnologia, identidade, manipulação de informação e uma série de outros temas que dependem diretamente do texto para funcionar. Ter acesso oficial a essas informações em português torna os dois jogos muito mais acessíveis ao público brasileiro.
Peace Walker também possui uma quantidade enorme de diálogos opcionais e informações adicionais que ajudam a compreender seus personagens e o período histórico da franquia. É justamente por isso que existe uma ressalva importante nos extras.
Os conteúdos bônus ficaram de fora da localização
O aplicativo dedicado aos conteúdos adicionais não está localizado em português do Brasil. Isso inclui seus materiais extras e também Metal Gear: Ghost Babel, lançado originalmente para Game Boy Color e incluído como título bônus.
Sua presença é interessante principalmente dentro da proposta de preservação. Ghost Babel é um capítulo que certamente passou longe de uma parcela significativa do público da franquia, seja pela plataforma em que foi lançado originalmente ou pela própria disponibilidade limitada que teve ao longo dos anos. Tê-lo oficialmente incluído em uma coleção moderna é, portanto, positivo.

Ao mesmo tempo, ele continua sendo essencialmente um jogo de Game Boy Color disponibilizado como bônus. Não considero que sua presença, isoladamente, mude substancialmente o valor do pacote. E a ausência de português chama atenção justamente porque contrasta com o ótimo trabalho realizado nos dois títulos principais.
Além de Ghost Babel, o aplicativo reúne materiais como livros digitais, conteúdos relacionados aos jogos e outros arquivos voltados principalmente aos fãs interessados em explorar mais profundamente a série. São bons complementos, mas não são o motivo principal para comprar esta coletânea.
Preservar não é a mesma coisa que modernizar
Esse talvez seja o ponto mais importante para definir o que Metal Gear Solid: Master Collection Vol. 2 realmente oferece. Os jogos continuam excelentes. Mas isso não significa que seus gráficos, sistemas e controles devam ser avaliados como se fossem lançamentos atuais.
Visualmente, Metal Gear Solid 4 ainda é um jogo de PlayStation 3. Peace Walker possui uma apresentação mais limpa em sua versão HD, mas continua carregando a origem de um projeto desenvolvido inicialmente para PSP.

O mesmo vale para o gameplay. Os controles funcionam bem e me incomodaram consideravelmente menos do que aqueles encontrados em alguns títulos do primeiro volume, mas várias decisões de design continuam datadas. E não há nada necessariamente errado nisso.
A coletânea não se propõe a fazer aquilo que Metal Gear Solid Δ: Snake Eater fez ao reconstruir um jogo antigo dentro de padrões contemporâneos. São propostas diferentes. Aqui, o objetivo é manter os títulos disponíveis e funcionais. E, nesse aspecto, considero que Master Collection Vol. 2 realiza um trabalho importante.
Vale a pena comprar Metal Gear Solid: Master Collection Vol. 2?
Metal Gear Solid: Master Collection Vol. 2 preserva melhor do que moderniza. Essa frase provavelmente resume melhor minha experiência com a coletânea. As histórias continuam excelentes e representam alguns dos momentos mais importantes de Metal Gear. Especialmente Metal Gear Solid 4, que finalmente deixa de estar limitado ao PlayStation 3 depois de tantos anos.
Ao mesmo tempo, não faria sentido ignorar a idade desses jogos. Visualmente, eles continuam bastante ligados às plataformas em que nasceram. Os controles funcionam melhor do que eu esperava, mas ainda carregam convenções antigas. A coletânea também poderia oferecer mais opções de modernização, principalmente em MGS4. Isso impede que ela seja uma remasterização particularmente ambiciosa. Mas não impede que seja uma boa coletânea.
No PC, os dois jogos rodaram muito bem durante meus testes. No Steam Deck, Peace Walker foi praticamente perfeito, enquanto Metal Gear Solid 4 apresentou apenas pequenas oscilações e permaneceu completamente jogável.
O problema do launcher no portátil é inconveniente, mas o fato de todos os aplicativos funcionarem independentemente evita que isso se transforme em algo realmente grave.
A localização em português do Brasil de MGS4 e Peace Walker também representa uma adição enorme para quem sempre quis acompanhar essas histórias com mais facilidade, embora seja lamentável que o mesmo tratamento não tenha sido aplicado aos conteúdos bônus e a Ghost Babel.
No fim das contas, o maior mérito desta coleção não está em fazer esses jogos parecerem novos. Está em permitir que continuem existindo de forma oficial, acessível e funcional. E, especialmente no caso de Metal Gear Solid 4, isso já era necessário há muito tempo.
Metal Gear Solid: Master Collection Vol. 2 será lançado em 27 de agosto para PC, via Steam, Nintendo Switch, PlayStation 5 e Xbox Series X|S, com pré-venda disponível por R$ 284,90.
*Review elaborada em um PC equipado com GeForce RTX, com código fornecido pela Konami.
Metal Gear Solid: Master Collection Vol. 2
BRL 284,90Prós
- Metal Gear Solid 4 finalmente disponível fora do PlayStation 3
- Localização em português do Brasil nos dois jogos principais
- Excelente desempenho de Peace Walker no Steam Deck
- Boa proposta de preservação
Contras
- Apresentação visual datada
- Conteúdos bônus e Ghost Babel não possuem localização em português
- Poucas opções de modernização



