Moss: The Forgotten Relic | Review

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A realidade virtual sempre foi parte essencial da identidade de Moss. Quando o primeiro jogo chegou ao PlayStation VR, em 2018, colocar o visor significava literalmente aproximar o rosto de um pequeno mundo de fantasia, observar seus cenários como dioramas e criar uma relação bastante particular com Quill, uma diminuta heroína que reconhecia a presença do jogador. Foi dessa forma que conheci a aventura originalmente, ainda no primeiro PlayStation VR, e aquela experiência permaneceu na memória justamente pela maneira como aproximava o jogador de sua protagonista e daquele universo em miniatura.

Com lançamento marcado para 16 de julho de 2026, Moss: The Forgotten Relic reúne o primeiro Moss, sua continuação direta, Moss: Book II, e a expansão Twilight Garden em uma única aventura para PC e consoles, agora completamente adaptada para telas convencionais. Esta nova versão representou, portanto, meu reencontro com o primeiro livro fora da realidade virtual, mas também meu primeiro contato com Book II e com o restante da jornada de Quill.

Além de melhorias visuais, a nova edição apresenta cenas refeitas, sistemas de câmera modernizados e localização em português do Brasil. Será que uma experiência tão associada à realidade virtual consegue preservar seu encanto fora dela? E como a continuação amplia aquilo que o primeiro jogo apresentou? Confira, nesta análise antecipada do Pizza Fria, o que encontramos ao revisitar o início da aventura e finalmente acompanhar sua sequência.

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Uma pequena heroína diante de um mundo gigantesco

Moss: The Forgotten Relic apresenta sua história como um livro vivo, narrado enquanto o jogador acompanha as aventuras de Quill, uma jovem ratinha que vive em um pequeno povoado ao lado de seu tio, Argus. Apesar de seu tamanho, ela demonstra desde cedo uma coragem incompatível com a fragilidade que sua aparência pode sugerir.

Quill não é uma guerreira especialmente poderosa. Ela carrega uma pequena espada que, visualmente, parece quase uma arma feita de planta, e precisa encarar criaturas mecânicas, ruínas antigas e ameaças muito maiores do que ela. Essa diferença de escala é uma das principais características da aventura: a protagonista pode ser minúscula, mas tudo ao redor dela transmite a sensação de um mundo grandioso e perigoso.

Moss: The Forgotten Relic
A pequenina Quill é a estrela de Moss: The Forgotten Relic (Imagem: Reprodução/PS5 Pro/Lucas Soares)

A jornada começa quando Argus é levado após uma série de acontecimentos envolvendo uma misteriosa relíquia e a ameaça de Sarffog, uma enorme serpente ligada às forças arcanas que se espalham pelo reino. A partir daí, Quill deixa a segurança de sua casa para tentar resgatá-lo.

Ela, no entanto, não realiza essa missão sozinha. O jogador assume o papel do Leitor, uma presença que existe dentro daquele universo e que pode interagir diretamente com Quill e com determinados elementos dos cenários. A personagem olha para a câmera, reage às nossas ações e utiliza gestos para se comunicar, estabelecendo uma relação que vai além daquela normalmente encontrada entre jogador e protagonista.

Moss: The Forgotten Relic
O jogador também assume o papel do Leitor do livro de Moss (Imagem: Reprodução/PS5 Pro/Lucas Soares)

Mesmo fora da realidade virtual, esses pequenos momentos continuam funcionando. Quill comemora a resolução de alguns quebra-cabeças com dancinhas, responde ao contato do Leitor e demonstra confiança conforme a aventura avança. A proximidade física proporcionada por um headset fazia essas interações parecerem ainda mais pessoais, mas o carisma da personagem sobrevive à transição para uma tela convencional.

Dois livros que sempre deveriam ter permanecido juntos

Uma das melhores decisões de The Forgotten Relic é tratar os dois jogos como partes de uma única história. Moss: Book II começa exatamente no ponto em que o primeiro termina, tornando a passagem entre as campanhas bastante natural.

No lançamento original, o encerramento de Moss deixava uma sensação evidente de que aquela era apenas a abertura de algo maior. Ao reunir os dois capítulos sem uma longa espera entre eles, a nova versão permite que a narrativa encontre um ritmo mais consistente e faz com que acontecimentos anteriormente separados por anos sejam percebidos como elementos de uma mesma aventura.

Moss: The Forgotten Relic
Quill tem uma árdua missão pela frente (Imagem: Reprodução/PS5 Pro/Lucas Soares)

A continuação também dá mais espaço para personagens apresentados anteriormente. Argus segue como uma figura importante para Quill, enquanto Tylan, a coruja que ocupa uma posição central na ordem dos Leitores, ajuda a expandir a mitologia por trás daquele mundo. Aderyn também ganha maior relevância, especialmente conforme a história passa a explorar as consequências dos conflitos iniciados no primeiro livro.

O segundo capítulo ainda apresenta reviravoltas narrativas interessantes e amplia consideravelmente o escopo da jornada. Há uma surpresa importante da metade para a frente que modifica a maneira como determinadas partes da campanha são jogadas. Revelar detalhes enfraqueceria seu impacto, mas a mudança introduz ataques de longo alcance e novas formas de solucionar puzzles, dando à experiência uma variedade que o primeiro livro nem sempre alcança.

Moss: The Forgotten Relic
Aderyn tem uma importância na narrativa de Moss: The Forgotten Relic (Imagem: Reprodução/PS5 Pro/Lucas Soares)

Como conjunto, os dois jogos absorvem muito bem a estrutura de um conto de fadas. Há uma heroína aparentemente vulnerável, uma ameaça ancestral, criaturas mágicas, mentores, ruínas esquecidas e um narrador conduzindo o jogador pelas páginas. A apresentação nunca tenta esconder essa inspiração e encontra nela sua maior força.

Um puzzle adventure simples, mas cheio de personalidade

Embora possua combates e alguns elementos de plataforma, Moss: The Forgotten Relic funciona principalmente como uma aventura em terceira pessoa centrada em quebra-cabeças ambientais. Cada cenário é apresentado como um pequeno diorama, geralmente composto por plataformas, mecanismos, inimigos e caminhos que precisam ser observados antes de Quill alcançar a próxima área.

O jogador controla a protagonista diretamente, mas também utiliza o Leitor para mover objetos, abrir passagens e manipular determinadas criaturas. A solução normalmente exige alternar entre essas duas perspectivas: posicionar Quill em um local, segurar um mecanismo com o Leitor e aproveitar a oportunidade para atravessar uma plataforma ou ativar outro dispositivo.

Moss: The Forgotten Relic
A jogabilidade do livro 1 é mais simples (Imagem: Reprodução/PS5 Pro/Lucas Soares)

No primeiro livro, as possibilidades ainda são bastante limitadas. Muitos quebra-cabeças dependem de blocos móveis, alavancas e inimigos utilizados para pressionar interruptores. Embora a disposição dos elementos seja competente, a campanha demora pouco para revelar praticamente tudo o que possui.

O combate também é extremamente simples. Quill pode atacar, realizar pequenas sequências de três ou quatro golpes e se esquivar. A variedade de inimigos é baixa e os confrontos raramente exigem algo além de observar o momento do ataque adversário e responder com uma evasão.

Moss: The Forgotten Relic
Um conto de fadas? (Imagem: Reprodução/PS5 Pro/Lucas Soares)

Não existe seleção tradicional de dificuldade, mas há uma opção de acessibilidade que permite pular os combates. Como as batalhas já são tranquilas de forma geral, esse recurso parece destinado principalmente a quem deseja acompanhar a narrativa e resolver os puzzles sem qualquer interrupção.

Os maiores desafios estão nos quebra-cabeças e na procura por colecionáveis escondidos. Alguns objetos exigem observar áreas parcialmente encobertas ou analisar o cenário de um ângulo diferente, herança direta da proposta original em realidade virtual.

O segundo livro é onde a jogabilidade encontra seu potencial

Apesar de começar sem todas as habilidades adquiridas anteriormente, Book II representa uma evolução considerável. Há mais ferramentas, inimigos, lutas contra chefes e maneiras de interagir com os cenários.

As novas habilidades não servem apenas para combater. Elas também possuem aplicações específicas nos puzzles, fazendo com que a progressão desbloqueie formas diferentes de pensar cada ambiente. As salas passam a combinar mecanismos com mais frequência e a exigir que o jogador alterne entre as capacidades de Quill e a interferência direta do Leitor.

Moss: The Forgotten Relic
O segundo livro é muito mais dinâmico (Imagem: Reprodução/PS5 Pro/Lucas Soares)

A variedade de situações também cresce. Enquanto o primeiro livro pode parecer repetitivo por reutilizar inimigos e estruturas, a continuação muda o ritmo com mais frequência e utiliza suas novidades de maneira mais criativa. As batalhas contra chefes, embora não sejam particularmente difíceis, acrescentam escala e ajudam a marcar momentos importantes da campanha.

Essa diferença entre as duas partes é bastante perceptível quando elas são jogadas em sequência. O primeiro Moss funciona quase como uma introdução prolongada, enquanto Book II pega suas ideias e finalmente começa a explorá-las com maior profundidade.

Moss: The Forgotten Relic
Quill e você, o Leitor! (Imagem: Reprodução/PS5 Pro/Lucas Soares)

O pacote também incorpora Twilight Garden, expansão originalmente lançada após o primeiro Moss. Em vez de adicionar um novo capítulo separado, ela insere pequenos desafios opcionais distribuídos ao longo da campanha por meio de portais escondidos em pontos específicos dos cenários. Essas fases funcionam quase como salas de desafio, exigindo maior precisão na resolução dos quebra-cabeças e um uso mais eficiente das mecânicas apresentadas anteriormente. Não chegam a alterar a estrutura da aventura, mas expandem o conteúdo do primeiro livro de forma bastante natural e oferecem um bom incentivo para quem gosta de explorar cada ambiente em busca de todos os segredos.

Ainda assim, não se trata de um game mecanicamente complexo. A estrutura continua baseada em entrar em uma área, observar os obstáculos, resolver um conjunto de mecanismos e seguir para o próximo cenário. A evolução vem principalmente da variedade e da combinação das ferramentas, não de uma transformação completa da fórmula.

Fora da realidade virtual, o mundo parece menor

A adaptação para tela plana torna Moss mais acessível, mas também retira parte daquilo que diferenciava a experiência original. No PlayStation VR, era natural inclinar o corpo, olhar atrás de construções e aproximar o rosto para procurar caminhos escondidos. O jogador não apenas observava os dioramas; ele ocupava um espaço dentro deles.

Em uma televisão ou monitor, tudo está praticamente exposto diante da câmera. Os cenários continuam bonitos e cuidadosamente construídos, mas o processo de explorá-los perde parte de sua fisicalidade. Isso também faz com que a campanha pareça mais curta, pois há menos incentivo para permanecer em cada ambiente apenas contemplando seus detalhes.

Moss: The Forgotten Relic
Eu posso! Eu consigo! (Imagem: Reprodução/PS5 Pro/Lucas Soares)

Essa percepção não vem apenas de uma comparação abstrata. Joguei o primeiro Moss originalmente no PlayStation VR, em 2018, enquanto tanto The Forgotten Relic quanto Book II foram jogados na tela plana. Por isso, a diferença entre os dois livros também se mistura à mudança de perspectiva: o primeiro foi um reencontro com uma experiência que eu lembrava principalmente pela imersão, enquanto o segundo pôde ser avaliado como uma novidade completa.

Por outro lado, a nova câmera funciona bem e dificilmente atrapalha a movimentação. A direção de arte continua sendo um dos destaques, especialmente na representação de ruínas tomadas pela vegetação, bibliotecas antigas, florestas e construções monumentais vistas a partir da perspectiva de uma pequena criatura.

Moss: The Forgotten Relic
Até para a neve nós vamos! (Imagem: Reprodução/PS5 Pro/Lucas Soares)

A dublagem em inglês também merece elogios. A narradora conduz a história com uma interpretação envolvente, enquanto os demais personagens ajudam a dar personalidade ao universo. A localização em português do Brasil, ausente nas versões originais, apresenta textos bem adaptados e facilita bastante o acompanhamento da mitologia e dos diálogos.

A trilha sonora orquestral de Jason Graves cumpre sua função ao acompanhar os momentos de descoberta, perigo e melancolia, mas raramente se destaca isoladamente. Ela complementa a atmosfera de conto de fadas sem necessariamente se tornar um elemento memorável por conta própria.

Vale a pena comprar Moss: The Forgotten Relic?

Moss: The Forgotten Relic não substitui completamente a experiência em realidade virtual. A ausência do headset reduz a sensação de presença, torna a exploração mais direta e enfraquece parte da proximidade entre o Leitor e Quill. Também evidencia a simplicidade do primeiro livro, especialmente em seus combates e na baixa variedade de inimigos.

Mesmo assim, o encanto permanece. Quill continua sendo uma protagonista extremamente carismática, o mundo conserva sua identidade visual e a relação entre personagem e jogador ainda produz momentos capazes de arrancar um sorriso. Quando Book II entra em cena, a aventura ganha mais variedade, melhores puzzles, chefes e uma narrativa mais elaborada. A inclusão de Twilight Garden reforça a sensação de edição definitiva. Ainda que seja um conteúdo opcional, seus desafios complementam bem o primeiro jogo e aumentam a longevidade da campanha sem quebrar seu ritmo.

A união dos dois jogos e da expansão em uma campanha contínua beneficia muito o conjunto. O que antes poderia parecer uma primeira parte curta e incompleta agora funciona como a introdução de uma fábula maior, cujo potencial é explorado de maneira mais consistente na sequência.

Portanto, vale a pena comprar Moss: The Forgotten Relic, especialmente para quem nunca teve acesso a um dispositivo de realidade virtual ou deseja conhecer a história completa de Quill em português. Veteranos encontrarão uma versão menos imersiva, mas ainda cuidadosamente adaptada. Já novos jogadores terão acesso a uma aventura delicada, acessível e cheia de personalidade, capaz de mostrar que mesmo a menor das heroínas pode carregar uma grande história.

Moss: The Forgotten Relic chega no dia 16 de julho para PC, via Steam, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e Nintendo Switch 2.

*Review elaborada em um PlayStation 5 Pro, com código fornecido pela Polyarc.

Moss: The Forgotten Relic

8

História

8.5/10

Gameplay

7.5/10

Gráficos e Sons

8.0/10

Extras

8.0/10

Prós

  • Quill continua sendo uma protagonista extremamente carismática
  • Book II evolui praticamente todos os aspectos do primeiro jogo
  • Direção de arte e cenários continuam belíssimos mesmo fora da realidade virtual
  • Localização em português do Brasil valoriza a narrativa

Contras

  • Parte da imersão da versão em realidade virtual se perde na adaptação para tela plana
  • O combate do primeiro jogo é bastante simples
  • A trilha sonora acompanha bem a aventura, mas raramente se destaca

Lucas Soares

Jornalista e fã de videogames desde criança. Já teve Mega Drive, Game Boy Color, PS1, PS2, PS3, PS4, PSVR, PS Vita, Nintendo 3DS e agora tem "só" um PS5, um Nintendo Switch e um PC Gamer. Para ele, o melhor jogo da história é Chrono Trigger, mas Metal Gear Solid 3, Final Fantasy X, The Last of Us Part II e Red Dead Redemption 2 completam o Top-5.