Yerba Buena | Preview

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Existe algo curioso quando um jogo decide brincar com as próprias regras do meio. Seja quebrando a quarta parede, questionando limitações clássicas ou simplesmente transformando “gambiarras” em mecânicas, esse tipo de proposta costuma chamar atenção logo de cara. Yerba Buena, novo projeto da Mad About Pandas e da Focus Entertainment, segue exatamente por esse caminho e faz isso com uma ideia central que rapidamente se torna o grande destaque da experiência.

À convite da empresa, pude jogar uma demo, que tem em torno de uma a duas horas de duração, a depender da habilidade do jogador, e foi possível explorar um recorte inicial da campanha e entender melhor como o título pretende equilibrar narrativa e gameplay. Ambientado em uma versão estilizada de São Francisco nos anos 1970, o jogo apresenta Barb, uma personagem que começa sua jornada como uma NPC dentro de um game fictício chamado Bay Angels, até que os eventos tomam um rumo inesperado.

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Quando copiar e colar vira solução

Se existe um elemento que define Yerba Buena, esse elemento é o Oscilador. O dispositivo não apenas complementa a jogabilidade, ele é o núcleo de toda a experiência.

A lógica é simples de entender, mas cheia de possibilidades na prática. O jogador pode copiar propriedades de objetos do cenário e aplicá-las em outros elementos. Isso inclui movimentos, comportamentos e até certas características físicas que determinam como esses objetos interagem com o ambiente.

Yerba Buena
Oscilador em mãos. E agora? (Imagem: Reprodução/PC/Lucas Soares)

Na demo, isso se traduz em situações como observar um carro se movendo da esquerda para a direita ou vice-versa, capturar esse padrão e aplicá-lo a uma plataforma para criar um novo caminho. Em outros momentos, é possível replicar movimentos verticais, rotações ou padrões mais complexos, transformando completamente a dinâmica de um puzzle.

O interessante aqui não é apenas o que o sistema permite fazer, mas como ele incentiva a experimentação. Em vez de oferecer soluções fechadas, o jogo abre espaço para diferentes abordagens, deixando que o jogador teste ideias, erre, ajuste e tente novamente. Essa liberdade faz com que cada desafio funcione quase como um pequeno laboratório, onde criatividade e observação caminham lado a lado.

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Os glitches visuais são propositais em Yerba Buena (Imagem: Reprodução/PC/Lucas Soares)

Nem tudo é lógica: narrativa e personagens entram em cena

Apesar do foco evidente nas mecânicas, Yerba Buena não deixa sua narrativa de lado. A história gira em torno de Barb e seus amigos, como Russell, Wanda e Jorge, que ajudam a conduzir o jogador ao longo da jornada.

A proposta de transformar uma NPC em protagonista funciona bem como ponto de partida, especialmente por dialogar diretamente com a estrutura do próprio jogo. Há um certo charme em acompanhar essa transição, ainda que, neste primeiro contato, a narrativa funcione mais como pano de fundo do que como elemento principal.

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Seus amigos têm informações importantes para te passar (Imagem: Reprodução/PC/Lucas Soares)

Ainda assim, os personagens cumprem um papel importante no começo da história. Em momentos de maior dificuldade, eles oferecem dicas que ajudam a destravar puzzles, evitando que o jogador fique preso por muito tempo sem saber como avançar.

Esse equilíbrio entre desafio e orientação funciona de maneira orgânica, sem quebrar a imersão ou transformar a progressão em algo excessivamente guiado.

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Que lugar maravilhoso, não é mesmo? (Imagem: Reprodução/PC/Lucas Soares)

Explorar também faz parte de Yerba Buena

Outro ponto que chama atenção é o incentivo à exploração. Ao longo da demo, é possível encontrar diversos colecionáveis espalhados pelo mapa, incluindo entradas de diário que ajudam a expandir o contexto da história.

Esse tipo de conteúdo adiciona uma camada extra à experiência, recompensando jogadores mais curiosos e atentos aos detalhes do cenário. A ambientação, por sua vez, reforça essa proposta, trazendo uma versão estilizada de São Francisco que mistura elementos urbanos com um toque quase surreal. Essa combinação ajuda a dar identidade ao mundo do jogo, tornando a exploração algo mais interessante do que apenas um complemento aos puzzles.

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Jogo fazendo piada com o próprio jogo. (Imagem: Reprodução/PC/Lucas Soares)

Desempenho sólido já na demo

No aspecto técnico, Yerba Buena apresentou um desempenho bastante consistente durante a demonstração. Rodando em Full HD, com configurações no alto, o jogo manteve taxas estáveis acima dos 100 quadros por segundo,.

A experiência se mostrou fluida do início ao fim, sem quedas bruscas de desempenho ou problemas que comprometessem a jogabilidade. Considerando que ainda se trata de uma versão em desenvolvimento, esse é um ponto positivo importante.

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Acho uma boa ideia, dev. Confia! (Imagem: Reprodução/PC/Lucas Soares)

O que esperar de Yerba Buena?

Com uma campanha estimada entre 10 e 12 horas, a demo de Yerba Buena representa apenas uma pequena parte do que o jogo completo pretende oferecer. Ainda assim, já é possível identificar uma base bem definida, especialmente no que diz respeito à sua principal mecânica.

O uso do Oscilador se mostra criativo e versátil, com potencial para sustentar uma boa variedade de desafios ao longo da jornada. Ao mesmo tempo, a narrativa levanta pontos interessantes, ainda que seu desenvolvimento completo permaneça como uma incógnita neste primeiro contato.

Se conseguir manter o equilíbrio entre liberdade criativa, progressão consistente e evolução das ideias apresentadas na demo, Yerba Buena tem tudo para se destacar dentro do gênero de puzzle-plataforma. Por enquanto, fica a impressão de um projeto que entende bem sua proposta e que aposta na criatividade do jogador como principal motor da experiência.

Yerba Buena chega no dia 26 de maio para PC, via Steam, Xbox Series X|S e PlayStation 5. 

*Preview elaborada em um PC equipado com GeForce RTX, com código fornecido pela Focus Entertainment.

Lucas Soares

Jornalista e fã de videogames desde criança. Já teve Mega Drive, Game Boy Color, PS1, PS2, PS3, PS4, PSVR, PS Vita, Nintendo 3DS e agora tem "só" um PS5, um Nintendo Switch e um PC Gamer. Para ele, o melhor jogo da história é Chrono Trigger, mas Metal Gear Solid 3, Final Fantasy X, The Last of Us Part II e Red Dead Redemption 2 completam o Top-5.