Diablo IV: saiba tudo sobre o bruxo, a segunda nova classe da expansão Lord of Hatred

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Em Diablo IV, poucas ideias combinam tão bem com Santuário quanto a de uma classe disposta a usar o próprio Inferno contra todos os demônios e criaturas bizarras que surgem a cada avanço. Com isso, o Bruxo chega com essa proposta: não é um herói luminoso, não é um servo dos demônios e muito menos um invocador tradicional. A classe traz alguém que atravessa a fronteira entre controle e corrupção, arrancando todo o seu poder das profundezas, transformando criaturas infernais em armas vivas.

A classe faz parte da expansão Lord of Hatred, lançada em 28 de abril, e aparece como uma das grandes apostas da Blizzard para trazer novos ares para Diablo IV. A própria descrição oficial coloca o Bruxo como um conjurador sombrio que subjuga demônios, canaliza fogo infernal, realiza rituais proibidos e usa o poder bruto do Inferno para destruir inimigos. Porém, ele não faz pactos: ele domina todas essas forças.

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Um forte contraponto ao Paladino

Se o Paladino representa fé, ordem e proteção, o Bruxo parece nascer do lado oposto. Ele também quer salvar Santuário, mas por meios muito mais violentos e moralmente contestáveis, usando as forças infernais contra os seus próprios “nativos”. É uma classe que trabalha com a ideia de sacrifício, corrupção controlada e violência ritualística. Em vez de erguer escudos sagrados ou invocar bênçãos, o Bruxo é totalmente diferente, usando o próprio poder infernal a seu favor.

Isso combina muito com o momento narrativo de Diablo IV. Com o retorno de Mefisto e a expansão do conflito em Lord of Hatred, faz sentido que Santuário precise de figuras mais extremas e brutais para lidar com as ameaças. O Bruxo não é bonzinho, mas também não é um vilão. Ele está naquele espaço cinzento que a franquia sempre soube explorar bem: personagens quebrados, talvez perigosos, mas sempre necessários.

diablo iv lord of hatred bruxo
Imagem: Divulgação

A origem da classe também reforça essa ambiguidade. Segundo a lore apresentada, os Bruxos surgem ligados aos Vizjerei e ao conhecimento proibido que remete à Guerra do Pecado. A demonologia acabou sendo abolida, seus praticantes foram perseguidos e, séculos depois, enclaves clandestinos ainda seguiram mantendo essa tradição viva. Ou seja, o Bruxo não é apenas uma classe nova por mecânica; ele tem peso dentro da própria mitologia da franquia.

Dominando o Inferno com classe

O grande charme do Bruxo está em inverter uma lógica clássica de Diablo. Durante décadas, demônios foram aquilo que tínhamos como objetivo esmagar, explodir, congelar, queimar, eletrocutar ou exorcizar. Agora, eles também viram ferramentas úteis.

Essa inversão é simples, mas interessante. O Bruxo pega monstros que normalmente estariam do outro lado da tela e os transforma em extensão da própria vontade. Há demônios menores, criaturas explosivas, braços colossais, cabeças flamejantes, olhos profanos, bestas maiores e entidades únicas ligadas aos arquétipos da classe. Na prática, isso dá uma sensação de brutalidade absurda. Não lançamos magias: arremessamos o Inferno em cima dos inimigos, em um sentido literal em Santuário.

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Imagem: Divulgação

A classe pode ser considerada como uma versão mais rústica, agressiva e visceral de um mago ou feiticeiro. O personagem usa espada de duas mãos, trabalha com invocações, dano de sombra, fogo infernal e habilidades que literalmente usam partes de demônios para atacar, puxar, morder ou esmagar inimigos. O Bruxo não tem a elegância arcana dos Mago, nem as conjurações macabras do Necromante. Ele é mais sujo, mais barulhento e mais exagerado, algo endossado por seu visual meio heavy metal.

Ira e Dominância: dois recursos para uma classe de controle

Mecanicamente, o Bruxo funciona com dois recursos principais: Ira e Dominância. A Ira alimenta habilidades de combate mais diretas, enquanto a Dominância é usada para evocar demônios e comandar parte desse arsenal infernal. A ideia é simples de entender, mas pode render uma camada interessante de gestão durante as lutas.

Na prática, isso evita que o Bruxo seja repetitivo. Precisamos sempre decidir quando gastar recursos em dano imediato, quando guardar Dominância para uma invocação importante e como encaixar demônios, magias e rituais no mesmo ciclo de combate. Em minha experiência, confesso que usei ambos os botões do mouse, alternando entre os dois recursos.

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Imagem: Divulgação

Essa estrutura também ajuda a diferenciar a classe do Necromante, que costuma carregar a ideia de exército persistente, cadáveres, ossos e morte. O Bruxo parece mais ligado ao ato de convocar, explorar e descartar forças demoníacas conforme a necessidade, sendo o uso das habilidades imediato.

As três grandes correntes de habilidade

A classe Bruxo gira em torno de três grandes famílias de poder. A primeira é a Demonologia, voltada para invocações e ataques físicos ou demoníacos. Aqui entram criaturas menores, demônios maiores e habilidades que usam membros infernais como armas. É o lado mais grotesco e direto da classe.

Diablo IV: Lord of Hatred: tudo sobre a expansão

A segunda é o Fogo Infernal, com explosões, lava, queimaduras e efeitos de volatilidade. Particularmente, considero essa como a linha mais satisfatória no sentido visual, porque trabalha justamente com impacto imediato e reações em cadeia. Pela gameplay, as habilidades de fogo foram um dos pontos mais divertidos do Bruxo, especialmente quando explosões começam a se conectar umas às outras no campo de batalha.

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Imagem: Divulgação

A terceira é a Sombra, mais ligada a furtividade, manipulação e dano sombrio. É o lado mais estratégico, que conversa diretamente com Forma de Sombra, maldições e controle de campo. Talvez não seja tão chamativa quanto incendiar tudo ou invocar uma aberração gigante, mas pode ser onde builds mais refinadas encontrem espaço.

Palavras-chave da classe

O Bruxo também chega com palavras-chave próprias, que ajudam a dar identidade às builds. A primeira delas, Eviscerar funciona como uma espécie de dano físico brutal, causando uma perda instantânea de vida seguida de sangramento. É o tipo de mecânica que pode sustentar builds voltadas para dano contínuo e explosões físicas.

Já a Volatilidade, está ligada ao Fogo Infernal. Ela potencializa habilidades de fogo, fazendo com que determinados lançamentos causem mais dano. É uma mecânica que parece divertida, mas que também pode dividir opiniões, especialmente se depender muito de chance. Quando funciona, tende a ser satisfatória; quando não ativa no momento desejado, pode passar aquela sensação de irregularidade típica de builds muito dependentes de proc.

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Imagem: Divulgação

A Maldição afeta inimigos e aumenta o dano de habilidades abissais recebido por eles, acumulando até três vezes. Isso coloca o Bruxo em uma posição interessante para preparar alvos antes de derretê-los com sombra, fogo ou demônios.

Além disso, há duas formas especiais. A Forma de Sombra concede mobilidade, furtividade e abre espaço para um estilo mais escorregadio. Já a Forma de Demônio aumenta a vida máxima e fortalece habilidades de Demonologia conforme o Bruxo abate inimigos. Essa segunda, em especial, parece ser uma das fantasias mais fortes da classe: deixar de apenas comandar o Inferno e, por alguns instantes, tornar-se parte dele.

Os arquétipos do Bruxo e os Estilhaços de Alma

O sistema de classe do Bruxo é baseado nos chamados Estilhaços de Alma, desbloqueados a partir do nível 30. Eles definem o estilo principal de jogo, vinculam um demônio específico ao personagem e oferecem modificadores que mudam bastante o comportamento da build. São quatro arquétipos principais: Legião, Vanguarda, Esperteza e Ritualista.

Legião: quantidade, caos e pressão constante

Legião, como o próprio nome diz, é o arquétipo para quem quer lotar a tela de demônios. A proposta é criar uma linha de frente infernal, com criaturas menores e maiores trabalhando em sinergia. Usar habilidades de Demônio Superior fortalece ou acelera demônios menores, enquanto a morte de muitas invocações pode reduzir custos e alimentar o ciclo da build.

É o estilo mais próximo de um comandante de demônios, mas com uma diferença importante: aqui não há uma tropa organizada e elegante. É caos puro. Demônios entram, morrem, explodem, fortalecem outros demônios e transformam o campo de batalha em uma confusão deliberada.

O demônio associado a esse arquétipo é Ae’grom, capaz de atacar diretamente e convocar Filhotes Vis para lutar ao lado do Bruxo. Esse caminho deve agradar quem gosta de tela cheia, pressão constante e sensação de enxame.

Vanguarda: o Bruxo que vai para cima

Vanguarda é para quem olha para uma classe de conjuração e pensa na ideia de ir para a frente, quase como um tanque. Esse arquétipo transforma o Bruxo em uma presença mais agressiva na linha de frente, explorando a Forma de Demônio e habilidades que invocam arquidemônios para acompanhá-lo em combate.

O demônio principal aqui é Abodian, uma criatura infernal associada ao combate direto, mobilidade e presença física. Nas impressões de teste, esse arquétipo foi destacado como a escolha para quem prefere se jogar contra os inimigos, inclusive com a possibilidade de montar em Abodian em determinadas ações.

É provavelmente o estilo mais chamativo para quem não gosta de ficar distante do combate, jogando de longe. A Vanguarda parece transformar o Bruxo em uma mistura de conjurador, berserker capirotesco e monstro temporário. Para Diablo IV, que muitas vezes premia builds com boa mobilidade e dano em área, esse caminho tem tudo para ser popular.

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Imagem: Divulgação

Esperteza: controle, sombra e posicionamento

O arquétipo Esperteza, é talvez o mais elegante da classe. Ele aposta em Forma de Sombra, furtividade, dano abissal e manipulação do campo de batalha.

Nas impressões fornecidas, foi justamente esse arquétipo que mais se destacou durante o teste. A ideia de posicionar criaturas, evitar confronto direto e deixar os demônios ditarem o ritmo da luta soa muito forte. Em vez de ser o personagem que fica no centro da pancadaria, o Bruxo deste arquétipo atua como um maestro sombrio: entra e sai das sombras, prepara o terreno e deixa o Inferno fazer o trabalho pesado.

O demônio associado a essa linha é Laalish, com ataques ligados ao terror, execução e dano abissal. O mais interessante é a promessa de uma classe que não precisa ser apenas barulhenta. O Bruxo pode ser brutal, mas também pode ser calculista.

Ritualista: sangue, sacrifício e risco

Por fim, o Ritualista parece ser o arquétipo mais estratégico e, talvez, o mais complexo de dominar. Ele trabalha com sacrifícios, drenagem de vida, buffs, rituais e uso de demônios como combustível para ampliar o próprio poder.

É um estilo muito coerente com o que se espera de um Bruxo. Afinal, nada mostra mais o tal “conhecimento proibido” como consumir recursos vitais, sacrificar invocações e transformar dor em vantagem. O demônio ligado ao Ritualista é Vollach, descrito como uma criatura subjugada que acompanha o Bruxo e pode ser usada para fortalecer suas habilidades.

Esse arquétipo tende a ser o favorito de jogadores que gostam de builds com risco e recompensa. Se a execução for bem equilibrada, pode render um dos estilos mais técnicos da classe: menos imediato que Vanguarda, menos caótico que Legião e mais exigente que Esperteza.

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Imagem: Divulgação

Uma das classes mais promissoras de Diablo IV

O Bruxo parece uma das ideias mais fortes que a Blizzard poderia trazer para Diablo IV em Lord of Hatred. Ele é um dos que mais dialoga com a identidade sombria da franquia, criando um contraste absurdo com o Paladino, oferecendo um poder totalmente novo dentro do jogo , nos permitindo controlar o Inferno, mas sem se ajoelhar para ele.

O maior acerto está na variedade. Quem gosta de invocação pode ir de Legião. Quem prefere combate agressivo tem Vanguarda. Quem curte controle e posicionamento pode encontrar espaço com Esperteza. Quem gosta de builds mais técnicas, com sacrifício e risco, provavelmente vai olhar para Ritualista. Essa divisão dá ao Bruxo uma amplitude que pode agradar perfis bem diferentes.

Na classe, o risco está exatamente no equilíbrio. Por conter muitos sistemas, recursos, invocações, formas, maldições e palavras-chave, o Bruxo pode ficar excelente nas mãos de quem gosta de testar várias builds. No entanto, pode deixar toda a experiência mais confusa para quem só quer entrar e destruir monstros. Normal. Afinal de contas, as builds em Diablo IV estão bem mais complexas que nos jogos anteriores, algo que gosto muito, sobretudo por permitir uma maior customização.

Sendo assim, minha impressão sobre a classe é muito positiva. O Bruxo tem presença, estilo, violência e personalidade. Ele parece feito para quem quer algo mais visceral do que o Mago, mais agressivo do que o Necromante e mais profano do que qualquer outra classe de Diablo IV. É uma classe completamente diferente e cheia de personalidade – e de demônios, claro.

No fim, o Bruxo resume bem a lógica de Santuário: às vezes, para enfrentar monstros, é preciso aceitar que a salvação possa vir deles.

Sobre Diablo IV

Em Diablo IV, os jogadores se unem à luta para salvar o mundo sombrio e gótico de Santuário da Mãe Abençoada Lilith, batalhando contra hordas de demônios e monstros ao longo do caminho. O jogo oferece diversas opções para os jogadores personalizarem seus personagens, com cinco classes únicas, uma variedade de cosméticos e habilidades, e a liberdade de escolher o caminho que desejarem para explorar o mundo aberto e imersivo.

Além da campanha de história, Diablo IV apresenta mais de 120 masmorras, dezenas de missões secundárias, chefes mundiais e uma vasta quantidade de lugares para explorar. E após finalizar a campanha, os jogadores ainda têm a opção de fortalecer e testar suas habilidades no fim de jogo por meio de grandes Quadros de Excelência, zonas de JxJ (jogador contra jogador), Masmorras do Pesadelo e Marés Infernais, além da Árvore dos Lamentos. Diablo IV está disponível para PC, via Battle.netXbox Series X|S, Xbox OnePlayStation 4 e PlayStation 5.

Álvaro Saluan

Completamente apaixonado por videogames, escreve e pesquisa sobre o tema há uns bons anos. Vê os jogos para além do entretenimento, considerando todo o processo como uma grande e diversificada arte. Vai dos jogos de esporte aos RPGs tranquilamente, admirando cada experiência. Seu maior ídolo dos jogos é Hideo Kojima.