MOUSE: P.I. For Hire | Review

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Como já dizia um famoso cantor, “Se você está procurando por problemas… chegou ao lugar certo!”, e essa é a frase que encapsula perfeitamente o clima em MOUSE: P.I. For Hire, título que começou como uma ideia em 2022, e em 2026 chega como um jogo completo.

Quer saber o que achei dessa experiência? A resposta você confere aqui no Pizza Fria em mais uma review antecipada e sem spoilers!

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História

Dizem que nenhum romance policial começa de fato até alguém cair morto. É assim que acontece na decadente Mouseburg dos anos 1930, com todo tipo de problema caindo no colo do nosso detetive particular Jack Pepper, um ex veterano de guerra que esconde mistérios, desaparecimentos, assassinatos e conspirações.

A história de MOUSE: P.I. For Hire se desenrola através de três mistérios, que devemos solucionar coletando provas e depoimentos, além de explorar pelo mapa para coletar peças adicionais deste quebra-cabeças.

Todos os personagens são charmosos e parecem ter saído diretamente de um roteiro de coméia policial da época em que o jogo se passa, conferindo uma autenticidade ainda maior para o texto, que consegue trazer os anos 1930 para uma audiência moderna sem se perder no meio do caminho em um noir de primeira linha.

MOUSE: P.I. For Hire

O que posso comentar sem estragar a experiência é que a narrativa de MOUSE: P.I. For Hire equilibra leveza e peso sem tropeçar nos próprios pés, ora arrancando risadas com um timing impecável, ora puxando o tapete com uma reviravolta que lembra que Mouseburg, no fundo, é uma cidade podre até o osso.

Gameplay

Acredite se quiser, mas tudo o que foi descrito acima acontece em um FPS. Sim, um first person shooter. Essa foi a minha exata reação, de choque, ao perceber que estava diante do FPS mais criativo e inovador dos últimos anos, onde o gênero parece estar em uma crise praticamente interminável onde a imaginação parece ter dado lugar a uma realidade fria e sem encanto nos olhos (ou nas balas).

É aí que MOUSE: P.I. For Hire chega, primeiramente sem fugir do que é, um first person shooter, sem reduzir ou remover funções típicas do gênero como o strafe, e adicionando mecânicas vistas em jogos de propostas mais modernas, como o dash. É um respiro no gênero, mas que ainda exige que você se garanta na mira ou morra tentando. Temos três opções de dificuldade: fácil, média e difícil – essa última levando a sério a proposta e sendo, de fato, um desafio puxado, que lembra aquelas partidas ranqueadas de nível alto em famosos FPS online.

MOUSE: P.I. For Hire

A narrativa também se constroi por meio de puzzles que são feitos na medida certa, não tão fáceis mas que também não chegam a frustrar, e as recompensas variam entre bônus adicionais e itens de progressão na história, servindo como um bom incentivo para explorar os mapas. Mapas esses que podem oferecer mais de um caminho, oferecendo mais de uma opção que fica à escolha do jogador. 

O cenário é detalhado e com decorações que podem ser usadas ao nosso favor, adicionando mais uma camada de imersão ao contexto cartunesco, permitindo que o jogador se sinta um verdadeiro protagonista, pregando peças nos inimigos. MOUSE: P.I. For Hire respeita o gênero proposto e ainda assim mostra que há espaço para ideias ambiciosas, criativas e divertidas que transformam o FPS em muito mais que tiro, mas também em um vetor para uma gameplay surpreendentemente divertida e rápida.

Gráficos e sons

É claro que a cereja do bolo de MOUSE: P.I. For Hire são os gráficos, que mesclam o 2D cartunesco old school com gráficos 3D estilizados, criando um visual muito único e moderno. Essa combinação poderia não funcionar nas mãos erradas, mas aqui dá certo e o mundo parece vivo mesmo completamente em preto e branco, como se um desenho animado de 1930 tivesse ganhado volume e profundidade sem perder uma pitada do seu charme original.

MOUSE: P.I. For Hire

O trabalho de arte se atenta aos detalhes à ponto das formas e dos contrastes compensarem a falta das cores, permitindo que itens e objetos que podem ser interagidos não se percam pelo cenário. Além disso, a mistura não se torna pesada para processamento gráfico, o que significa que mais pessoas com diferentes hardwares possam jogar MOUSE: P.I. For Hire sem maiores problemas.

A música acompanha os gráficos com a mesma competência. A trilha sonora respira jazz e noir em igual medida, sabendo exatamente quando ocupar o espaço e quando recuar para deixar a atmosfera falar, e os efeitos sonoros emulam perfeitamente o exagero característico das animações clássicas, e o resultado é uma camada extra de imersão que eleva a experiência como um todo, especialmente com as opções de customização. Infelizmente, só faltou a dublagem em português.

Vale a pena jogar MOUSE: P.I. For Hire?

A resposta curta é sim. A resposta elaborada é que, aqui, estamos diante do que podemos considerar o jogo mais charmoso de 2026, que não tem medo de explorar um gênero tão engessado como o first person shooter e traz muita personalidade em um espaço em que isso, atualmente, está em falta. MOUSE: P.I. For Hire é uma mudança de ritmo muito bem-vinda.

MOUSE: P.I. For Hire será lançado em 16 de abril de 2026 para PlayStation 5Xbox Series X|SNintendo Switch 2 e PC, via Steam.

*Review elaborada em um PC equipado com GeForce RTX, com código fornecido pela PlaySide Studios.

MOUSE: P.I. For Hire

BRL 88,99
9

História

8.5/10

Gameplay

9.0/10

Gráficos e Sons

9.5/10

Prós

  • Mudança de ares importante para o gênero de FPS
  • Noir charmoso, engraçado e divertido
  • Gameplay dinâmica e muito divertida

Contras

  • Sem dublagem em português, apenas legendas

Flávia "peachblues"

A publicidade a escolheu, mas ela não escolheu a publicidade. Preferiu os jogos, principalmente aqueles que enchem os olhos e divertem por horas a fio. Gosta muito de piadinhas que ninguém entende e é uma das poucas donas de um PS Vita no Brasil, de acordo com as próprias estatísticas. Atualmente joga no que as pessoas ao seu redor chamam de "PC da NASA" mas nenhum foguete foi lançado do seu quintal até o momento.