Nova Roma | Preview

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Há algo de particularmente gostoso em jogos que se propõem a reconstruir algo real, e Nova Roma tenta fazer isso. Mas isso é interessante não apenas por uma questão histórica, mas pelo desafio implícito: como recriar algo que, por definição, já atingiu sua forma mais grandiosa? Pois é…

Sem pressa para entregar respostas fáceis, o jogo nos coloca diante de um cenário que mistura ambição, limitação e liberdade. Em vez de simplesmente permitir nossa reconstrução de uma cidade romana, ele sugere algo mais complexo: reconstruir uma ideia de Roma, carregando glórias, erros e contradições. Por conta disso, Nova Roma é um projeto que merece atenção. Portanto, mostrarei aqui as minhas impressões sobre o que está por vir nesta review!

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O desafio de recriar a grandeza de Roma

Em Nova Roma, assumimos o controle de um pequeno grupo de sobreviventes após a queda do Império Romano. Longe dos grandes centros e das antigas estruturas de poder, esse grupo busca estabelecer uma nova cidade, talvez um novo símbolo de prosperidade e organização que honre o legado do passado. Isso é bem legal e motivador… é quase um “e se” os romanos continuassem seu império?

Essa ideia, embora simples à primeira vista, cria um pano de fundo interessante. Não se trata apenas de expansão territorial ou crescimento econômico, mas de uma reconstrução simbólica. Há uma carga implícita de nostalgia, de tentativa de recuperar algo perdido. Como é de se esperar, começar do zero não é fácil.

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Recriar Roma não é uma tarefa nada fácil.. (Imagem: Divulgação)

Com isso, Nova Roma não se apoia fortemente na narrativa ao longo da jogabilidade. Após a introdução, o foco se desloca rapidamente para os sistemas de construção e gerenciamento, algo bem comum no gênero. Ainda assim, o contexto inicial cumpre bem seu papel: ele dá significado ao que você está construindo, mesmo que isso não seja constantemente reforçado durante a experiência. Queremos recriar a grandeza de Roma, custe o que custar.

Um city-builder com identidade própria

À primeira vista, Nova Roma pode parecer mais um city-builder tradicional, sem grandes novidades. Vista superior, construção em grade, coleta de recursos, expansão gradual… tudo isso está presente. Mas, conforme o jogador avança, fica claro que o jogo tenta se diferenciar em pontos-chave. Ele não quer apenas simular o crescimento de uma cidade, mas quer que a gente entenda como tudo funciona. E isso começa com um dos seus elementos mais interessantes: o terreno.

Diferente de muitos jogos do gênero, Nova Roma não oferece mapas completamente planos ou facilmente adaptáveis. Afinal, a região onde Roma nasceu, cresceu e morreu, é bem diferente disso, sendo formada por ilhas. Assim, cada nova partida gera um território aleatório, com características únicas, incluindo relevo, recursos e limitações naturais. Esse detalhe muda completamente a forma como pensamos planejamento urbano.

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Mesmo com gráficos low poly, Nova Roma não deixa de trazer detalhes interessantíssimos. (Imagem: Divulgação)

Não é possível simplesmente expandir de forma linear. A geografia impõe uma série restrições: áreas elevadas dificultam construções, terrenos irregulares limitam o espaço disponível e recursos naturais precisam ser explorados exatamente onde estão. Tudo precisa de muito planejamento. Além disso, a altitude não é apenas um detalhe visual.

Ela influencia diretamente sistemas fundamentais do jogo, como o funcionamento dos aquedutos, que transportam as águas pela cidade. Portanto, como na Roma histórica, a água precisa fluir de regiões mais altas para mais baixas, o que obriga o jogador a considerar o relevo em suas decisões. Esse tipo de abordagem adiciona uma leve camada de realismo que é interessante, e isso sem necessariamente tornar o jogo excessivamente complexo. Gostamos!

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Neve, dias de sol intenso, tudo isso muda a dinâmica do jogo. (Imagem: Divulgação)

Planejamento por proximidade: menos expansão, mais organização

Outro ponto interessante de Nova Roma é seu sistema de funcionamento baseado em proximidade. Em muitos city-builders, basta conectar estruturas por estradas para que todos os benefícios sejam compartilhados. Aqui, não. Os edifícios precisam estar fisicamente próximos para interagir entre si de forma eficiente. Isso é complexo, mas a gente vai pegando a ideia com o tempo. Por exemplo, residências precisam estar dentro do alcance de fontes de água, como poços. Caso contrário, não funcionam corretamente.

Assim, esse sistema transforma o jogo em algo mais próximo de um quebra-cabeça urbano, com suas complexidades e necessidades. Portanto, não estamos apenas expandindo a cidade, mas organizando toda a malha de edificações, caminhos e recursos. Cada setor da cidade precisa ser pensado como um conjunto funcional, onde cada construção tem um papel claro dentro de um espaço limitado. Não é fácil. Aliás, qualquer vacilo no início do jogo pode te obrigar a começar tudo do zero.

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Construir as coisas de maneira aproximada é a grande sacada do jogo. (Imagem: Divulgação)

Como esperado, a base da progressão em Nova Roma está na coleta e transformação de recursos. Madeira, pedra, alimentos e outros materiais são essenciais para expandir a cidade e manter sua população. A diferença está na forma como esses sistemas são apresentados. Em vez de exigir microgerenciamento constante, o jogo adota uma abordagem mais simplificada, o que é muito bom.

A população não é dividida em classes complexas, e os trabalhadores não precisam ser atribuídos manualmente a cada tarefa. Em vez disso, definimos as prioridades de trabalho (que são muitas), e os habitantes se organizam de acordo com essas diretrizes. Esse sistema reduz a carga de gerenciamento, tornando o jogo mais acessível sem eliminar sua profundidade estratégica. Mas a coisa não é tão simples assim: se não chegarem novos imigrantes, a cidade não cresce e tudo fica estagnado, sendo essa tarefa bem complexa.

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Os aquedutos contam com uma física bem realista do fluxo das águas. (Imagem: Divulgação)

Deuses e dinâmicas místicas

Um dos elementos mais interessantes presentes em Nova Roma é a presença dos deuses romanos como parte ativa da gameplay. Construir templos e agradar divindades como Júpiter, Marte ou Vênus não é apenas uma questão estética. Essas entidades oferecem bônus importantes, influenciando produtividade, felicidade da população e avanço tecnológico.

No entanto, como diria Skank, citando Fernando Pessoa: “os deuses vendem quando dão”. Ignorar as demandas divinas pode resultar em punições severas, como desastres naturais ou eventos negativos que impactam diretamente a cidade. Com isso, o jogo recebe uma camada de imprevisibilidade muito interessante. Ou seja, não basta gerenciar recursos e infraestrutura, também é preciso lidar também com forças que fogem ao nosso controle, como sempre.

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Lidar com deuses nunca é fácil… (Imagem: Divulgação)

Defesa e ameaças externas

Embora o foco principal esteja na construção e no gerenciamento em si, Nova Roma também apresenta elementos de defesa, algo que traz mais uma dinâmica interessante e histórica, se é que posso considerar assim. À medida que a cidade cresce, surgem ameaças como bandidos, invasões e até mesmo forças externas mais organizadas, tal como os nórdicos fizeram. Porém, não espere batalhas colossais.

No início das partidas, a defesa é limitada a estruturas simples e milícias básicas. Com o tempo, podemos desenvolver um sistema militar mais robusto, incluindo legionários e fortificações mais avançadas. Mas esse sistema claramente é colocado como algo secundário, existindo para nós, mas estando bem longe do foco da experiência pensada para Nova Roma. Uma pena, já que Roma sofreu nas mãos de invasores…

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Mesmo não sendo o foco do jogo, as batalhas acabam eventualmente acontecendo. (Imagem: Divulgação)

O que esperar de Nova Roma?

Como um jogo em acesso antecipado, Nova Roma ainda apresenta limitações. A mais evidente delas é a falta de um tutorial robusto. Muitos sistemas importantes não são explicados de forma clara, o que pode dificultar a entrada de novos jogadores. Confesso que ainda sofro para conseguir manter o império de pé. São muitas coisas e dificuldades que surgem a cada dia passado.

Além disso, algumas mecânicas, como a questão dos combates, ainda parecem simplificadas demais, funcionando mais como complemento do que como elemento realmente estratégico. Por outro lado, isso também indica potencial. O jogo já apresenta uma base sólida, com ideias interessantes e uma identidade própria. Com ajustes e expansão de conteúdo, há espaço para crescimento significativo.

Concluindo, após as primeiras horas com Nova Roma, a sensação é clara: trata-se de um projeto com boas ideias, execução competente e uma proposta que foge do lugar-comum dentro do gênero. Ele não tenta competir diretamente com gigantes do mercado, mas busca oferecer uma experiência mais focada e reflexiva sobre um período interessante da humanidade. Espero que a versão final surpreenda, e traga boas novidades.

Nova Roma foi lançado pela Hooded Horse e a Lion Shield em acesso antecipado em 26 de março, estando disponível para PC via SteamEpic Games Store, GOG.com e Microsoft Store, além de integrar o catálogo do PC Game Pass.

*Review elaborada em um PC equipado com GeForce RTX, com código fornecido pela Hooded Horse.

Álvaro Saluan

Completamente apaixonado por videogames, escreve e pesquisa sobre o tema há uns bons anos. Vê os jogos para além do entretenimento, considerando todo o processo como uma grande e diversificada arte. Vai dos jogos de esporte aos RPGs tranquilamente, admirando cada experiência. Seu maior ídolo dos jogos é Hideo Kojima.