Schrödinger’s Call | Review

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Desenvolvido por uma pequena equipe, Schrödinger’s Call é uma visual novel que te coloca na pele de uma jovem que precisa lidar com dramas de pessoas que não conseguiram descansar em paz após um apocalipse acabar com a vida na terra.

Prometendo entregar uma direção de arte inspirada em livros infantis e uma narrativa emocionante e densa, vamos descobrir se o projeto de estreia da Acrobatic Chirimenjako conseguiu entregar o que prometeu, em mais uma análise antecipada do Pizza Fria!

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Uma bela e muito emocionante história

Em Schrödinger’s Call nós controlamos Mary, que acorda em uma sala escura sem quaisquer memórias sobre sua vida. Um misterioso gato preto chamado Hamlet a informa que o tempo congelou poucos milissegundos antes do mundo acabar. Isso se deve a pessoas que não conseguiram ter um desfecho em seus dramas pessoais.

Hamlet instrui Mary a atender chamadas vindas de um telefone próximo e resolver o último drama das pessoas que fizeram a chamada. Ao ajudá-las a encontrar um desfecho, elas podem finalmente descansar em paz.

Schrödinger’s Call
Diversas situações de apertar o coração de qualquer um são constantes (Imagem: Reprodução/Higor Neto)

Apesar de não podermos caminhar pelos cenários (no máximo existem alguns poucos segmentos de point & click), o jogo é similar à estrutura episódica dos jogos da Telltale Games. Principalmente nas opções de diálogos, que, mesmo numerosas, afetam apenas os momentos seguintes, sem alterar significativamente a história como um todo. Schrödinger’s Call é majoritariamente uma experiência linear.

Mesmo episódica e relativamente previsível, a trama não perde o foco em momento algum e mantém o interesse do início ao fim, com uma criação de mundo inteligente através da lenta e orgânica descoberta do passado da protagonista e de detalhes como produtos e doenças que dão peso e textura nesse mundo ao longo das histórias.

Schrödinger’s Call
Hamlet e Mary possuem uma dinâmica misteriosa e cômica ao mesmo tempo (Imagem: Reprodução/Higor Neto)

Como era de se esperar pela premissa, o jogo vai abordar dramas pessoais bastante intensos de diversos indivíduos, e o que mais me chamou atenção é que os eventos na vida desses personagens não são tratados como trágicos apenas para fazer os jogadores se emocionarem de forma rasa.

Em vez de usar a tragédia apenas como recurso dramático, as histórias são conduzidas de maneira mais serena. Muitos temas são profundamente abordados aqui, especialmente autodepreciação e amor. Para jogadores interessados em narrativas mais pessoais e reflexivas Schrödinger’s Call entrega, e muito.

Schrödinger’s Call
Escolhas mais relevantes se destacam em azul (Imagem: Reprodução/Higor Neto)

Visuais e trilha sonora

O capricho visual e sonoro aqui é exemplar. Em quantidade e qualidade. As histórias não poupam em cenários, retratos de personagens, transições e efeitos visuais propositadamente abstratos e surreais que lembram o trabalho do estúdio Shaft em Madoka Magica.

Mesmo na maior parte do tempo em preto branco, Schrödinger’s Call não cansa visualmente porque o uso das cores é muito preciso. Especialmente o vermelho, azul e dourado que, ao lado da trilha sonora orquestral, fazem a experiência navegar entre o lírico e o intimista. Pobre e repetitivo são as últimas coisas que a jornada se torna.

Schrödinger’s Call
Um tom surreal estranhamente agradável permeia a história. (Imagem: Reprodução/Higor Neto)

Algumas observações

Mesmo com payoffs narrativos consistentes e algumas boas quebras de ritmo, falta um pouco de energia ao contar algumas dessas histórias e a narrativa pode ficar morosa demais em algumas partes, exaurindo gradativamente o jogador.

Similar a Celeste, os personagens se comunicam com alguns efeitos sonoros distorcidos para simular suas vozes, porém diferente de Celeste, o tom das vozes não muda de acordo com o contexto.

Um mesmo personagem possui o mesmo tom quando está emocionalmente abalado ou calmo, o que quebra a imersão brevemente. Como os retratos, cenários e trilha sonora são numerosos e fortemente presentes, esse detalhe passa batido muitas vezes.

Schrödinger’s Call
Um diário pode ser constantemente acessado para rever informações da história (Imagem: Reprodução/Higor Neto)

Vale a pena jogar Schrödinger’s Call?

Para quem está começando no gênero, o ritmo mais lento e a ausência de localização em português podem dificultar o envolvimento inicial em Schrödinger’s Call.

No entanto, para aqueles interessados no tom e temas, certamente encontrarão um bom roteiro potencializado por uma trilha sonora e visuais marcantes. Uma vez que cada história engrena, você definitivamente não vai querer perder o que vem a seguir.

Schrödinger’s Call será lançado nesta quarta-feira, 27 de maio, para Nintendo Switch e PC, via Steam.

*Review elaborada em um PC equipado com uma GeForce RTX, com código fornecido pela SHUEISHA GAMES.

Schrödinger's Call

BRL 54,90
9

História

10.0/10

Gráficos e Sons

10.0/10

Ritmo

7.0/10

Prós

  • História emocionante e completa
  • Visuais e música memoráveis

Contras

  • Sem legendas em português
  • O ritmo pode cair drasticamente em alguns segmentos.