Schrödinger’s Call | Review
Desenvolvido por uma pequena equipe, Schrödinger’s Call é uma visual novel que te coloca na pele de uma jovem que precisa lidar com dramas de pessoas que não conseguiram descansar em paz após um apocalipse acabar com a vida na terra.
Prometendo entregar uma direção de arte inspirada em livros infantis e uma narrativa emocionante e densa, vamos descobrir se o projeto de estreia da Acrobatic Chirimenjako conseguiu entregar o que prometeu, em mais uma análise antecipada do Pizza Fria!
Uma bela e muito emocionante história
Em Schrödinger’s Call nós controlamos Mary, que acorda em uma sala escura sem quaisquer memórias sobre sua vida. Um misterioso gato preto chamado Hamlet a informa que o tempo congelou poucos milissegundos antes do mundo acabar. Isso se deve a pessoas que não conseguiram ter um desfecho em seus dramas pessoais.
Hamlet instrui Mary a atender chamadas vindas de um telefone próximo e resolver o último drama das pessoas que fizeram a chamada. Ao ajudá-las a encontrar um desfecho, elas podem finalmente descansar em paz.

Apesar de não podermos caminhar pelos cenários (no máximo existem alguns poucos segmentos de point & click), o jogo é similar à estrutura episódica dos jogos da Telltale Games. Principalmente nas opções de diálogos, que, mesmo numerosas, afetam apenas os momentos seguintes, sem alterar significativamente a história como um todo. Schrödinger’s Call é majoritariamente uma experiência linear.
Mesmo episódica e relativamente previsível, a trama não perde o foco em momento algum e mantém o interesse do início ao fim, com uma criação de mundo inteligente através da lenta e orgânica descoberta do passado da protagonista e de detalhes como produtos e doenças que dão peso e textura nesse mundo ao longo das histórias.

Como era de se esperar pela premissa, o jogo vai abordar dramas pessoais bastante intensos de diversos indivíduos, e o que mais me chamou atenção é que os eventos na vida desses personagens não são tratados como trágicos apenas para fazer os jogadores se emocionarem de forma rasa.
Em vez de usar a tragédia apenas como recurso dramático, as histórias são conduzidas de maneira mais serena. Muitos temas são profundamente abordados aqui, especialmente autodepreciação e amor. Para jogadores interessados em narrativas mais pessoais e reflexivas Schrödinger’s Call entrega, e muito.

Visuais e trilha sonora
O capricho visual e sonoro aqui é exemplar. Em quantidade e qualidade. As histórias não poupam em cenários, retratos de personagens, transições e efeitos visuais propositadamente abstratos e surreais que lembram o trabalho do estúdio Shaft em Madoka Magica.
Mesmo na maior parte do tempo em preto branco, Schrödinger’s Call não cansa visualmente porque o uso das cores é muito preciso. Especialmente o vermelho, azul e dourado que, ao lado da trilha sonora orquestral, fazem a experiência navegar entre o lírico e o intimista. Pobre e repetitivo são as últimas coisas que a jornada se torna.

Algumas observações
Mesmo com payoffs narrativos consistentes e algumas boas quebras de ritmo, falta um pouco de energia ao contar algumas dessas histórias e a narrativa pode ficar morosa demais em algumas partes, exaurindo gradativamente o jogador.
Similar a Celeste, os personagens se comunicam com alguns efeitos sonoros distorcidos para simular suas vozes, porém diferente de Celeste, o tom das vozes não muda de acordo com o contexto.
Um mesmo personagem possui o mesmo tom quando está emocionalmente abalado ou calmo, o que quebra a imersão brevemente. Como os retratos, cenários e trilha sonora são numerosos e fortemente presentes, esse detalhe passa batido muitas vezes.

Vale a pena jogar Schrödinger’s Call?
Para quem está começando no gênero, o ritmo mais lento e a ausência de localização em português podem dificultar o envolvimento inicial em Schrödinger’s Call.
No entanto, para aqueles interessados no tom e temas, certamente encontrarão um bom roteiro potencializado por uma trilha sonora e visuais marcantes. Uma vez que cada história engrena, você definitivamente não vai querer perder o que vem a seguir.
Schrödinger’s Call será lançado nesta quarta-feira, 27 de maio, para Nintendo Switch e PC, via Steam.
*Review elaborada em um PC equipado com uma GeForce RTX, com código fornecido pela SHUEISHA GAMES.



