Grind Survivors | Review
Grind Survivors é um bullet hell roguelike de ação (quantas coisas, não é mesmo?) desenvolvido pela Pushka Studios e publicado pela Assemble Entertainment. Nele, controlamos nosso personagem em lutas frenéticas por sobrevivência enquanto uma chuva de balas, monstros e tudo mais voa em nossa direção com o intuito de deixar nosso dia pior ainda.
E aí, será que vale a pena encarar? É o que veremos agora, em mais uma análise caprichada do Pizza Fria!
Loucura espacial
Cá estamos novamente, leitores e leitoras do site mais legal deste lado da lua, para comentarmos sobre um joguinho com uma proposta simples e despretensiosa: lançar bala em tudo que se move na tela enquanto zanzamos de um lado para o outro evitando que sejamos deixados feito queijo suíço por seja lá qual for a ameaça que estiver na nossa frente naquele momento.
Jogos assim costumam ser bem frenéticos e interessantes, e foi o que pensei ao bater o olho pela primeira vez em nosso assunto do dia: Grind Survivors. Prometendo uma doideira sem fim, um sistema de loot inspirado em clássicos da ação e um design interessante, o jogo realmente promete ser o que precisamos para saciar nossa vontade nesse momento.
Mas, será que ele conseguirá ter sucesso nessa empreitada? Ou é apenas mais uma promessa que é feita de maneira leviana, nos deixando abandonados e solitários sem nenhum acalento nesta noite fria e deprimida de seja qual for o dia da semana em que estiverem lendo isso? Deprimente? Certamente. Promissor? É o que veremos agora.

Jogabilidade
Grind Survivors cai exatamente dentro do que costumamos chamar, aqui na firma, de bullet hell. Ou, da forma como alguns traduzem para a melhor língua falada nesse planeta, como chuva de balas. É aquele esquema, vamos andando atacando manual ou automaticamente enquanto inimigos lotam a tela e saem atirando feito loucos em nossa cara.
O ciclo de jogo segue a norma do gênero, com nosso personagem contando com uma habilidade que carrega com o tempo e um ataque que varia de acordo com a arma equipada. Começamos enfrentando ondas leves de inimigos que vão aumentando conforme o tempo passa, com chefes a cada cinco ou dez minutos e um chefão bolado ao final.
Cada fase de Grind Survivors possui níveis de dificuldade diferente que influenciam, de maneira geral, a quantidade de inimigos que enfrentamos, o dano que aguentam receber antes de voltarem ao inferno de onde vieram e quanto tomamos de dano ao levarmos um sopapo deles. Níveis mais altos são consideravelmente mais tensos, mas com recompensas melhores também.
Não temos uma grande variedade de fases, com pouca mudança visual e nos inimigos que enfrentamos e, infelizmente, sem diferenças mecânicas que alterem a experiência de maneira significativa. Salvo alguns chefes e inimigos, todas elas contam com o mesmo desafio e o mesmo esquema de layout para navegarmos enquanto tretamos.

Em se tratando de bonecos, Grind Survivors nos dá uma seleção de quatro com poderes distintos, cada qual sendo mais adequado para um estilo de jogo ou build específica. Contudo, senti falta de uma diferença maior entre eles. Principalmente pela dificuldade inicial em liberar cada um, visto que o jogo não pega leve desde sua primeira fase.
Para enfrentar as horas demoníacas, podemos fazer uso de um bom arsenal de armas que ganhamos ao derrotar certos inimigos e, entre uma rodada e outra, podem ser fundidas e melhoradas, inclusive com uma roleta para alterar seus atributos básicos e bônus aleatórios como maior ataque, defesa, regen de vida e por aí vai. A seleção é bem, legal, e adiciona uma boa variedade ao jogo.
Além disso, Grind Survivors também conta com uma boa quantidade de poderes e runas que podemos usar. Os primeiros são aleatórios e válidos durante uma partida, adicionando efeitos aos nossos ataques e fazendo, por exemplo, com que possam explodir, ricochetear e uma penca de outras funcionalidades. Todos são bem legais, e um boneco todo montado fica bem destrutivo e legal de controlar.

Contudo, senti que Grind Survivors não deixa que o jogador utilize todo seu potencial, dada a maneira que o jogo cria seu desafio. Por exemplo, enfrentamos uma quantidade tamanha de inimigos que é quase impossível caminhar sem trombar com nenhum. Isso faz com que runas e poderes de esquiva sejam quase essenciais para irmos longe até nas fases mais fáceis.
O mesmo podemos dizer das armas que, se não tiverem um bom alcance e habilidade de acertas vários inimigos por vez, não conseguem dar conta da quantidade de monstros na tela. Geralmente existe uma ou outra build que funciona, e é nela que devemos nos agarrar para tentar chegar até onde queremos sem penar ou sofrer demais.
Isso acaba sendo um dos maiores detrimentos de Grind Survivors que, por conta disso, acaba se tornando repetitivo com certa facilidade. Visto, principalmente, que sair um pouco fora do que a fórmula pede acaba sendo muito contraproducente e, no fim das contas, pouco eficiente e com menos chances de vitória para o jogador.

Sons e visuais
Grind Survivors entrega visuais competentes, mas sem muita coisa que os tornem realmente únicos ou distinguíveis da multidão. Temos inimigos com pouca variedade e cenários repetidos, mas uma boa paleta de cores e alguns efeitos bem legais quando os monstros morrem ou explodem.
O mesmo pode ser dito de sua trilha sonora, que não embala demais mas entrega o necessário. Os sons de combate ficaram bons, e conseguem vender bem o caos das tretas e os barulhos que armas, personagens e monstros fazem na hora da confusão. Ah, e temos nossas legendas!

Vale a pena jogar Grind Survivors?
Grind Survivors, leitores e leitoras, é um bullet hell bem competente com algumas ideias interessantes para deixar a jogabilidade mais frenética e com uma variedade interessante ao jogador. Ainda que ele não faça tudo com perfeição, acredito que o que temos é bem interessante e digno de conferir.
Temos uma jogabilidade com muitas opções, principalmente quando pensamos nas diversas armas e seus atributos, além das runas e poderes que temos. Além disso, gostei do nível de desafio. Por outro lado, o jogo oferece pouca variedade de fases e inimigos, é genérico no visual e nos obriga um pouco a seguir certos caminhos se quisermos ter sucesso, o que vai contra sua profundidade de opções e mecânicas.
Dito isto, ainda acredito que Grind Survivors seja bem legal e, até, recomendado para quem procura algo mais expansivo e que segura menos a mão do que outras ofertas do mercado. Ainda que ele tenha suas falhas, que até o impedem de realizar todo seu potencial, o que temos aqui é o suficiente para agradar e garantir algumas boas horas de conteúdo.
Grind Survivors já está disponível para PC, via Steam, Epic Games Store e GOG.com, PlayStation 5 e Xbox Series X|S.
*Review elaborada em um PC equipado com uma GeForce RTX, com código fornecido pela Assemble Entertainment.
Grind Survivors
BRL 30,99Prós
- Boa variedade de armas para escolher
- Sistema de melhoria e reforge de armas adiciona uma boa camada de opções ao jogo
- Boa quantidade de poderes e runas para escolher
- Legendado em português
Contras
- O jogo nos força para determinadas builds se quisermos ir longe
- Pouca variedade de cenários e inimigos
- Visual genérico e pouco inspirado
- Dificuldades adicionais mudam pouco além d aquantidade e dano dos inimigos




