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Tomb Raider: Definitive Edition | Review

Revisitar Tomb Raider: Definitive Edition em 2025 foi mais do que abrir um clássico moderno da ação e aventura. Para mim, foi relembrar uma parte da minha própria história como jogador. Zerei o reboot de 2013 provavelmente em 2014, quando o jogo ainda era uma novidade, e meus registros da Steam mostram que toquei nele pela última vez em 2015, um período em que eu ainda não pensava que trabalharia com análise de jogos. Comecei com isso só a partir de 2016, então revisitar Yamatai agora, tantos anos depois, foi uma experiência carregada de nostalgia.

A chegada da versão para Nintendo Switch 2 foi o que me deu o empurrão final. E voltar a acompanhar Lara Croft em sua origem, com outro olhar e outra maturidade, acabou se tornando uma jornada que mistura memória, novidade e um certo senso de fechamento de ciclo. Os detalhes dessa minha nova aventura eu conto agora, em mais uma review do Pizza Fria!

Voltar para Yamatai nunca deixa de ser intenso

O reboot de Tomb Raider continua tão envolvente quanto eu lembrava. A ilha, o tom sombrio, a transformação gradual da protagonista, tudo se encaixa com precisão. Em 2014, eu simplesmente absorvia a aventura sem pensar muito no que estava por trás dela. Hoje, com anos de análise nas costas, percebo com mais clareza o peso das escolhas narrativas, o ritmo, a construção emocional. Mas nada disso diminui o impacto da história; pelo contrário, revisitar essa Lara em formação me fez valorizar ainda mais o trabalho do reboot.

O jogo não se apoia apenas no espetáculo ou nas grandes cenas de ação. Ele constrói aos poucos a transformação da Lara, em um equilíbrio entre vulnerabilidade e resiliência que poucas franquias conseguiram explorar tão bem. O início brutal, o sequestro dos amigos, a sensação constante de isolamento e perigo… tudo contribui para uma trama que não tem medo de colocar a protagonista em situações emocionalmente difíceis.

Tomb Raider: Definitive Edition
Que começo, ein! (Imagem: Reprodução/Lucas Soares)

E mesmo lembrando do que acontece com personagens, da mitologia da ilha, dos momentos de ruptura emocional da Lara, reviver esses trechos hoje teve um impacto diferente. É curioso como a história ganha novos significados quando você a visita depois de tantos anos: percebi nuances que não tinha notado em 2014, entendi melhor algumas motivações e valorizei ainda mais o arco da protagonista. Mesmo em 2025, a narrativa continua envolvente, coesa e muito eficiente em prender o jogador. A cada queda, a cada perseguição, a cada descoberta, tive aquela sensação familiar de estar revivendo algo importante.

Primeiro contato no Switch 2: leveza, fluidez e conforto

Ao iniciar o jogo no Switch 2, a primeira impressão foi imediata: ele roda muito bem. A fluidez é constante e isso transforma a experiência. Em um título tão frenético, com tantos momentos de ação, a estabilidade dos 60 FPS faz toda a diferença.

No modo portátil, o jogo se destaca ainda mais. A tela do console ajuda a suavizar algumas limitações visuais e a nitidez geral se mantém muito agradável. Em pouquíssimo tempo, já dá uma enorme sensação de imersão, como se tivesse colocado o jogo no bolso e levado comigo no dia a dia.

Tomb Raider: Definitive Edition
A ainda inocente Lara Croft (Imagem: Reprodução/Lucas Soares)

Dockado, a resolução percebida é alta, deixando a imagem limpa e estável. Mesmo sem confirmar exatamente se chega ao 4K nativo, a qualidade visual geral é boa. Não é a versão mais bonita de Tomb Raider, mas é uma versão confortável, algo essencial para um hardware híbrido.

Um olhar rápido no PC, só para entender a diferença

Por curiosidade, abri também o jogo no meu PC na qualidade Ultimate. Não fiz isso para comparar extensivamente, mas para ter um referencial do que o jogo entrega em sua forma mais completa. O PC naturalmente apresenta mais detalhes visuais, sombras mais densas, texturas mais definidas, efeitos mais marcantes. Mas isso serviu só como ponto de referência.

Rapidamente voltei ao Switch 2, porque era ali que eu queria continuar minha jornada. Não era sobre gráficos; era sobre revisitar a experiência. E, nesse sentido, a versão do Switch cumpre bem seu propósito.

Tomb Raider: Definitive Edition
Para um jogo de 2013, tá tudo bem joiinha (Imagem: Reprodução/Lucas Soares)

O que muda e o que permanece no port

Falando sobre as perdas técnicas, no Switch 2, a iluminação é mais suave, as sombras são menos detalhadas e alguns efeitos de sujeira e desgaste no corpo da Lara são mais discretos. É um jogo mais simples visualmente do que a Definitive Edition das plataformas mais potentes, mas nada disso compromete a compreensão da cena ou o andamento da campanha.

Os cenários continuam bonitos, a direção de arte ainda sustenta o clima da ilha e os ambientes seguem criando aquela sensação de perigo iminente. O charme da aventura se mantém, mesmo com o corte natural de detalhes.

Tomb Raider: Definitive Edition
O jogo é linear e até faz uma piada com isso! (Imagem: Reprodução/Lucas Soares)

Quanto ao cabelo da Lara, algo que foi muito comentado na época do lançamento original, ele aparece de forma mais simples aqui. Não é o destaque técnico que um dia foi, mas também não é algo que afete a experiência de maneira significativa.

Explorando Yamatai

Revisitar o gameplay também foi uma grata surpresa. Tomb Raider sempre foi um jogo muito físico, muito sensorial, e isso permanece bem legal. A movimentação da Lara é fluida, as animações têm peso e os controles continuam extremamente responsivos. O combate, que mistura armas de fogo, arco e confrontos próximos, ainda se destaca pela variedade e pela intensidade dos encontros, e mesmo hoje, tantos anos depois, a sensação de acertar uma flecha bem posicionada continua deliciosa.

As seções de escalada e plataforma também envelheceram bem. São lineares, claro, como é característico desse reboot, mas têm ritmo, tensão e um senso constante de verticalidade. O jogo sabe alternar esses momentos com quebra-cabeças simples, porém eficientes, e com trechos mais abertos em que a exploração rende recompensas, colecionáveis e pequenos desvios narrativos, além de inserções das DLCs espalhadas por alguns trechos.

Tomb Raider: Definitive Edition
Olá, novo(?) amigo! (Imagem: Reprodução/Lucas Soares)

E, acima de tudo, o gameplay acerta ao sempre colocar o jogador no centro da ação. Nada parece supérfluo: cada corrida desesperada, cada fuga de cavernas, cada tiroteio apertado existe para reforçar o crescimento da Lara como sobrevivente. É um jogo que mantém o foco e, por isso, continua tão satisfatório de jogar.

Recursos do Switch 2 que modernizam a experiência

O que realmente me surpreendeu foram os recursos do Switch 2 integrados ao jogo. O giroscópio é utilizado com naturalidade em cenas de equilíbrio, trazendo uma imersão discreta, mas eficiente. A mira por movimento ajuda bastante em ajustes finos com arco e armas de fogo. E o sistema similar ao “mouse aéreo”, que o console implementa em alguns jogos, também aparece de forma funcional, oferecendo mais precisão em certas sequências.

Esses detalhes modernizam Tomb Raider sem descaracterizá-lo. São melhorias sutis, mas que mostram um carinho maior pelo port do que simplesmente colocá-lo para rodar no novo hardware.

Tomb Raider: Definitive Edition
Não recomendo jogar com o Switch 2 meio torto (Imagem: Reprodução/Lucas Soares)

Vale a pena jogar Tomb Raider: Definitive Edition?

A versão de Tomb Raider: Definitive Edition para Switch 2 não é a mais bonita, nem a mais completa visualmente. Mas é uma versão agradável, fluida, portátil e moderna, que respeita a experiência original e a torna acessível de uma forma diferente.

Para quem quer revisitar o primeiro título da trilogia do reboot, é uma porta de entrada prática. Para quem nunca jogou, é uma oportunidade de conhecer a melhor fase da franquia, na minha modesta opinião. Aguardo ansioso pelo relançamento de Rise of the Tomb Raider, pra mim, o melhor da triologia!

Tomb Raider: Definitive Edition chegou de surpresa ao Nintendo Switch 1 e 2 no último dia 20 de novembro, custando R$ 106,59, mas com 20% de desconto em comemoração ao lançamento. O título também está disponível para PlayStation 4, Xbox One e PC, via Steam.

*Review elaborada em um Nintendo Switch 2, com código fornecido pela Aspyr.

Tomb Raider: Definitive Edition

BRL 106,59
8.1

História

9.0/10

Gráficos e Sons

7.0/10

Gameplay

9.0/10

Extras

7.5/10

Prós

  • Narrativa continua envolvente e impactante
  • Gameplay responsivo, variado e muito prazeroso
  • Excelente desempenho no Switch 2
  • Recursos do Switch 2 bem aplicados
  • Portabilidade valoriza a experiência

Contras

  • Redução perceptível de detalhes visuais
  • Ausência de novidades significativas além das funções do console

Lucas Soares

Jornalista e fã de videogames desde criança. Já teve Mega Drive, Game Boy Color, PS1, PS2, PS3, PS4, PSVR, PS Vita, Nintendo 3DS e agora tem "só" um PS5, um Nintendo Switch e um PC Gamer. Para ele, o melhor jogo da história é Chrono Trigger, mas Metal Gear Solid 3, Final Fantasy X, The Last of Us Part II e Red Dead Redemption 2 completam o Top-5.