As Dusk Falls | Review

As Dusk Falls é o próximo exclusivo de consoles Xbox. Com lançamento agendado para esta terça-feira, 19, o título de estreia do INTERIOR/NIGHT, estúdio criado por Caroline Marchal, ex-designer da Quantic Dreams. Logo, o jogo parte da premissa de ser um game narrativo, onde escolham importam e ditam o rumo da narrativa, tal como vários games que fizeram relativo sucesso na última década.

Mas As Dusk Falls foi um jogo low-profile durante seu desenvolvimento. Anunciado no Xbox Games Showcase de 2020, o game voltou a ganhar novidades em 2021 com um trailer de bastidores e, novamente, no Showcase de 2022, desta vez com a data de lançamento. E o que esperar do título? A resposta eu te conto agora, em mais uma review antecipada do Pizza Fria!

Um jogo onde escolham importam

Jogos narrativos ficaram muito populares a partir de 2011, quando o explosivo Heavy Rain, da Quantic Dream, foi lançado para PlayStation 3. De lá pra cá, o gênero se desmembrou e se popularizou, com empresas criando games voltados para esse público. A própria Xbox lançou, há cerca de dois anos, Tell Me Why. No PlayStation, Detroit: Become Human e Beyond Two Souls também fizeram muito sucesso, além dos jogos que saíram para diversas plataformas já no lançamento, como os títulos da franquia Life is Strange, dos jogos da Telltale Games e da Supermassive Games, que tirando Until Dawn (exclusivo de PS4), todos ganharam versões para consoles e PC.

Acontece que muitos desses jogos têm em comum algo sobrenatural. Ou o personagem tem algum poder, ou o universo onde os jogos se passavam eram repleto de monstros e inimigos que não encontramos no mundo real. E foi com essa premissa que As Dusk Falls capturou minha atenção, afinal, me parecia algo mais sério, ao mesmo tempo em que tinha escolhas que seriam muito mais sérias do que simplesmente influenciar se determinado personagem vive ou morre. Mas, sim, as suas escolhas inevitavelmente vão definir o destino dos personagens.

Em As Dusk Falls, você controla alguns personagens. Essencialmente, o jogo é dividido em duas partes, cada uma com três capítulos. Na primeira parte, controlamos dois personagens: Vince, um homem casado com Michelle, pai de Zoe e filho de Jim, que se mudaram da Califórnia. O outro personagem é Jay Holt, filho mais novo da família Holt, que se vê numa enrascada financeira e decide roubar a casa do xerife de uma pequena cidade no Arizona. A vida dessas famílias se cruza, e cada decisão que você toma vai influenciar o destino do personagem que você controla e de seus familiares.

As Dusk Falls
A primeira parte de As Dusk Falls se passa no Desert Dream Motel (Imagem: Divulgação)

No entanto, não é somente essas duas famílias que terão seus destinos influenciados pelas escolhas dos jogadores. Quando o assalto dá errado, a família de Holt faz a família de Vince refém em um motel de beira de estrada. Ali há personagens que também se envolvem na história, e cujo destino também é influenciado pelas decisões que o jogador toma ao longo do caminho.

Preservando o jogador de possíveis spoilers da história, não há muito mais o que dizer da história. Só que, pra mim, ela é muito boa e certamente uma das melhores que joguei nos últimos anos. Ela traz temas maduros e que podem ser polêmicos. Há muitas decisões morais que o jogador precisará tomar, há decisões e sem retorno, que influenciam diretamente no rumo da narrativa.

As Dusk Falls
Mensagem de aviso ao abrir As Dusk Falls (Imagem: Divulgação)

Gameplay e gráficos bem diferentes

Se você não está acostumado com visual novels, certamente achará As Dusk Falls um jogo bem diferente. Ao contrário de outros jogos narrativos, em que você controla personagens e pode andar pelo mapa, aqui você não fará nada disso. O game funciona exatamente como um visual novel, com a imensa maioria das imagens estáticas, e o jogador devendo tomar decisões com tempo se esgotando, ou explorar o cenário em busca de itens que podem auxiliar em determinada situação. A parte mais “jogável”, por assim dizer, de As Dusk Falls, acontece nos quick time events (QTE), que consiste em apertar o botão certo na hora certa.

Esse modelo de As Dusk Falls certamente pode afastar muitos jogadores que buscam títulos com mais ação. Isso porque, como eu disse acima, o jogo utiliza imagens estáticas na maior parte do tempo para contar a história. Basicamente, os gráficos de As Dusk Falls são fotos em alta resolução em sequência, e com um filtro ao estilo aquarela em todas ela. Rosto de personagens, imagens do cenário, tudo ao estilo aquarela. São pouquíssimas as cenas em que há movimento na tela, como fumaça saindo de um bulê ou carro em movimento. Todas as demais são fotos em sequência.

As Dusk Falls
Jay Holt é um dos personagens principais de As Dusk Falls (Imagem: Divulgação)

Isso me incomoda um pouco porque, por mais que existam mudanças dessas fotos ao longo dos diálogos, não há movimento labial. Ao mesmo tempo em que As Dusk Falls se preocupou em dublar o jogo em português do Brasil, as falas parecem muito aleatórias, saindo de bocas praticamente estáticas, em um jogo que busca uma verossimilhança alta. Demorei um tempo para acostumar.

Por conta disso, há alguma dificuldade até identificarmos quem são os dubladores de cada personagem. Pois, por muitas vezes, há conversas atravessadas no fundo, pois estamos em um ambiente de muito stress (um assalto seguido de sequestro), o que dificulta entender algumas linhas. Isso pode ser resolvido, claro, ao ligar as legendas, mas o jogo vem, por padrão, com elas desligadas.

As Dusk Falls
As Dusk Falls conta com muitas cenas de tensão ao longo da narrativa (Imagem: Divulgação)

Multiplayer e outras formas de jogar

Eu terminei As Dusk Falls sozinho, mas o jogo pode ser jogado inteiramente em modo multiplayer. Os jogadores podem instalar aplicativos em seus celulares, a partir deles, escolherem as decisões. Aquela que for a mais votada, será executada, intervindo diretamente no destino de vários personagens. O game conta com três modos de jogo:

  • Multiplayer local: disponível para até 8 jogadores, os jogadores utilizam o controle ou o aplicativo na mesma tela,
  • Multiplayer online: quem tiver o jogo adquirido ou for assinante Xbox Game Pass, pode convidar e jogar com amigos.
  • Modo de transmissão: ao ativar o modo transmissão, é possível configurar o jogo para streaming na Twitch, definindo que o público escolha os rumos da história.

Essa inclusão é interessante, pois assim como Detroit: Become Human, ao terminar cada capítulo, podemos ver toda a árvore de caminhos do jogo, e temos a oportunidade de retornar àquele ponto específico, caso não estejamos satisfeitos com o rumo da história. Além disso, no fim de cada capítulo, os jogadores recebem atribuições que vão de acordo com as escolhas tomadas ao longo do jogo. São recursos interessantes, que aumentam e muito o fator replay de As Dusk Falls.

As Dusk Falls
Anos depois do assalto, Zoe ainda lida com os traumas do crime (Imagem: Divulgação)

Por fim, a preocupação de muitos PC gamers atualmente, o desempenho de As Dusk Falls foi bom. O game rodou em 30 FPS, com resolução 4K e texturas em alta definição no meu PC durante o período de review. Havia pequenas quedas na taxa de quadros em mudanças bruscas de ambientes, mas que rapidamente o PC se recompunha. A escolha pelos 30 FPS se justifica pelo uso de imagens praticamente estáticas. Não há a menor necessidade de se aumentar a taxa de quadros (e prejudicar o desempenho) quando se usa um estilo gráfico que isso não fará a menor diferença.

Vale a pena jogar As Dusk Falls?

Eu adorei As Dusk Falls. Achei a narrativa do game incrível, com temas que nem sempre vemos por aí, em especial, de jogos narrativos. As ramificações da história, e a dublagem em português são fatores que contribuem muito para que o jogo tenha uma experiência positiva. Porém, o gameplay (ou a ausência dele) faz com que o game não brilhe tanto quanto poderia. O estilo gráfico, apesar de ter sido diferente, também não funciona bem da forma como foi implementado.

No fim, As Dusk Falls é recomendado para fãs de jogos narrativos e, com absoluta certeza, quem está acostumado à visual novels, pois definitivamente eleva o patamar destes gêneros. Para quem busca mais ação, apesar da narrativa reservar momentos assim, possivelmente vai se decepcionar.

As Dusk Falls chega nesta terça-feira, 19, para Xbox One, Xbox Series X|S e PC, via Microsoft Store por R$ 169,95, mas disponível sem custo adicional para assinantes Xbox Game Pass em ambas as plataformas. O título também está disponível na Steam.

*Review elaborada em um PC equipado com uma GeForce GTX, com código fornecido pela Microsoft.

As Dusk Falls

+ R$ 119,00
7.6

História

10.0/10

Gameplay

5.5/10

Gráficos e Sons

6.5/10

Extras

8.5/10

Prós

  • História e suas ramificações
  • Dublagem em português
  • Nova roupagem para visual novels

Contras

  • Gameplay parada
  • Gráficos "aquarela" estáticos e estranhos

Lucas Soares

Jornalista e fã de videogames desde criança. Já teve Mega Drive, Game Boy Color, PS1, PS2, PS3, PS4, PSVR, PS Vita, Nintendo 3DS e agora tem "só" um PS5 e um PC Gamer. Para ele, o melhor jogo da história é Chrono Trigger, mas Metal Gear Solid 3, Final Fantasy X, The Last of Us Part II e Red Dead Redemption 2 completam o Top-5.